O setor de cartões defende uma abordagem ampla para reduzir o endividamento das famílias, segundo discussões realizadas durante o 19º Congresso de Meios Eletrônicos de Pagamento.
Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente executivo da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), afirmou que não adianta tentar resolver apenas a questão da fatura do cartão de forma isolada. Ele disse que é preciso considerar o conjunto das dívidas do consumidor.
As declarações ocorrem em meio às discussões do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar o endividamento. Entre as medidas em estudo está a liberação de recursos do FGTS para quitação de dívidas.
Isso inclui um saque extraordinário com uso direcionado e o destravamento de cerca de R$ 7 bilhões retidos como garantia em operações de antecipação do saque-aniversário.
Giancarlo Greco, presidente da Abecs, comentou que iniciativas pontuais podem aliviar a situação no curto prazo, mas não resolvem o problema estrutural. Ele destacou limitações em tentar reduzir o custo de linhas de crédito sem considerar o risco.
Na avaliação do setor, mudanças focadas apenas em produtos podem ter efeitos colaterais. Representantes do setor têm participado de reuniões com o Ministério da Fazenda para discutir alternativas relacionadas ao crédito e à inadimplência.
De acordo com a Abecs, os cartões já representam 59,3% do consumo das famílias e 38,1% do PIB brasileiro. A expectativa é que o volume transacionado ultrapasse R$ 5 trilhões em 2026.
Dados da entidade indicam que o crédito rotativo responde por 2,7% do endividamento das pessoas físicas. O índice de inadimplência do cartão está em 9,2% e segue em trajetória de alta, ainda que em ritmo menor neste ano.
A associação afirma que 74,4% do saldo da carteira não tem juros, e cerca de 85% dos consumidores pagam a fatura em dia.
Segundo a entidade, os cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões em 2025, uma alta de 10,1% em relação a 2024. O total de transações chegou a 48,1 bilhões.
O cartão de crédito liderou o crescimento, com alta de 14,5% e R$ 3,1 trilhões movimentados. O débito somou R$ 1 trilhão. Os pagamentos por aproximação cresceram 31%.
A associação também destaca o crescimento do uso do tap on phone, que atingiu R$ 78 bilhões. O parcelado sem juros representou 42,6% das compras com cartão em 2025.
A segurança e a prevenção a fraudes seguem como prioridades. O índice de fraudes caiu 25,2% nos últimos três anos no valor transacionado.
Um levantamento aponta que entre os mecanismos de prevenção estão o recebimento de mensagens de texto a cada compra (57%), digitar a senha em transações presenciais (54%) e o uso de aplicativos para acompanhar a fatura (54%).
