22/02/2026
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Trump pressiona Lula em armadilha diplomática sobre Gaza

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil, para participar de um novo “Conselho de Paz” que se concentrará na situação na Faixa de Gaza. Esse convite coloca Lula em uma situação delicada no cenário diplomático. Ele deve decidir entre aceitar a proposta, o que poderia significar uma mudança em sua histórica defesa do multilateralismo, ou recusá-la, o que poderia prejudicar as relações do Brasil com os Estados Unidos em um momento crítico da política internacional.

Desde o início de seu terceiro mandato, Lula tem se posicionado como um mediador em conflitos internacionais. Em relação ao Oriente Médio, ele criticou as operações militares de Israel na Gaza e defendeu a formação de um Estado palestino, buscando também aumentar a presença do Brasil nas discussões globais. Em 2024, Lula teve sua imagem manchada ao ser declarado “persona non grata” pelo governo de Israel, após comparar as ações na Gaza ao Holocausto.

O cientista político Marcelo Suano, da Universidade de São Paulo, vê o convite de Trump como uma armadilha diplomática, onde Lula é colocado em uma posição difícil. Aceitar o convite poderia significar se submeter a um espaço de decisão que não controla, enquanto recusar poderia ser visto como um afastamento dos EUA.

O convite também tem um simbolismo importante. Trump sugere que, ao convidar Lula, está provando que ele faz diplomacia, contrabalançando as críticas feitas por Lula.

Lula se reuniu com o chanceler Mauro Vieira para discutir o convite e suas implicações. Eles estão analisando a proposta da Casa Branca, considerando fatores como os objetivos do conselho, quem vai participar, além dos impactos financeiros e políticos da adesão. O governo quer entender se o conselho poderá de fato influenciar as decisões ou se servirá apenas para sancionar ações já determinadas por Washington.

No dia seguinte ao convite, Lula criticou Trump, alfinetando seu estilo de governar pelas redes sociais. Em uma coletiva, Trump reafirmou o convite a Lula, elogiando seu papel potencial no grupo.

O conselho proposto discutirá assuntos como governança e reconstrução de Gaza. Um esboço de documento menciona a necessidade de abandonar instituições que historicamente falharam, fazendo referência à ONU. A ausência de representantes palestinos e a concentração de poder nas mãos de Trump intensificam as críticas sobre esse formato. Diplomatas brasileiros veem isso como uma tentativa dos EUA de criar um centro decisório paralelo aos tradicionais organismos internacionais.

Diversos especialistas expressaram preocupações sobre a proposta. Barbara Neves, da Universidade Positivo, argumenta que a iniciativa não é uma alternativa legítima ao sistema multilateral, pois ignora a presença palestina e reúne países que têm influências negativas na região. Conrado Baggio, da Universidade Cruzeiro do Sul, reconhece que aceitar o convite pode deslegitimar a ONU, enquanto recusar pode deixar o Brasil à margem de uma iniciativa com grande visibilidade.

Mesmo com essas avaliações, assessores do governo reconhecem que a participação de Lula no conselho pode ser vista como um endosso à liderança dos EUA em questões internacionais. Recusar o convite poderia reforçar a ideia de que o Brasil é inflexível em relação a modelos institucionais que não dão conta dos conflitos contemporâneos.

O convite de Trump chega em um momento em que a agenda eleitoral brasileira ganha destaque. Para os petistas, a decisão de Lula está mais voltada para a narrativa política do que para questões diplomáticas de longo prazo. A recusa ao convite pode ser uma escolha mais fácil, permitindo a Lula afirmar que questões de segurança internacional devem ser tratadas pela ONU.

No entanto, essa recusa não é sem riscos. Pode ser vista como um sinal de desentendimento estratégico com Washington, o que poderia levar a pressões políticas ou mesmo econômicas.

Caso decida participar do conselho, Lula pode enfrentar cobranças de setores da esquerda e movimentos sociais que questionariam a coerência de sua política externa. Por outro lado, se aceitar o convite, os benefícios podem ser incertos, podendo resultar apenas em um reconhecimento superficial por parte de Trump.

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