30/05/2026
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Petrobras quer dobrar produção de fertilizantes para autossuficiência

Petrobras quer dobrar produção de fertilizantes para autossuficiência

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, anunciou ontem que a estatal pretende dobrar a capacidade de todas as suas Fábricas de Fertilizantes (Fafens) instaladas nos Estados de Sergipe, Bahia, Paraná e a que está em construção em Mato Grosso do Sul, para tentar atingir a autossuficiência do País na produção do insumo, hoje fortemente dependente de importação.

“Estávamos pensando em mais cinco plantas e chegar a ser autossuficientes em fertilizantes nitrogenados. Cinco plantas é ótimo, mas onde é que vai ser isso? E onde é que chega o gás?”, disse Magda em discurso ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento ontem na Fafen Sergipe.

Segundo ela, a decisão ainda depende de estudos, mas pode ser tomada “ainda neste quinquênio” para levar o País a atender 75% da demanda de fertilizantes nitrogenados, após o aumento da produção de gás natural pela Petrobras.

“Aproveitando o aumento da produção de gás natural proporcionado pela Petrobras, talvez consiga chegar a cerca de 70%, 75% dos fertilizantes nitrogenados que o Brasil precisa. Agora, a nossa meta vai ser buscar a autossuficiência de fertilizantes nitrogenados”, disse ela, destacando que em Sergipe também existe potássio, que é insumo para fertilizantes.

A presidente da Petrobras disse ainda que gostaria de explorar urânio, mineral às vezes associado ao potássio, e minerais críticos, em um momento em que o governo busca soberania nesse setor, mas não deu detalhes. “Eu gosto da ideia de explorar potássio. Gosto da ideia de explorar minerais críticos. Gosto da ideia de fazer urânio. Gosto da ideia de ser uma empresa de energia cada vez maior”, disse.

O anúncio ocorre em meio a um cenário de alta dependência brasileira de importações de fertilizantes. O país é um dos maiores consumidores mundiais do insumo, utilizado em culturas como soja, milho e cana-de-açúcar. A ampliação da capacidade nacional de produção é vista como estratégica para reduzir custos logísticos e a exposição a variações do mercado internacional.

Atualmente, o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome. A maior parte vem de países como Rússia, China e Canadá. A meta de autossuficiência em nitrogenados, caso seja alcançada, representaria uma mudança significativa no perfil agrícola do país, que depende desses nutrientes para garantir a produtividade das lavouras.