25/05/2026
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Papa Leão 14 pede perdão por escravidão da Igreja

O papa Leão 14 emitiu nesta segunda-feira (25) o pedido de desculpas mais explícito já feito por um pontífice pelo papel da Igreja Católica na escravidão. Ele reconheceu tanto a demora da instituição em condenar a prática quanto seu envolvimento histórico em legitimá-la.

Em uma passagem de sua primeira encíclica papal, Leão 14 afirmou que a Igreja levou séculos para reconhecer plenamente “o flagelo da escravidão” como algo incompatível com a dignidade humana. Ele classificou esse legado como “uma ferida na memória cristã”.

“Por isso, em nome da Igreja, eu sinceramente peço perdão”, escreveu o pontífice, expressando “profunda tristeza” pelo sofrimento das pessoas escravizadas.

Leão 14 reconheceu que as autoridades da Igreja responderam aos governantes regulamentando e legitimando formas de subjugação, incluindo a escravização de não cristãos. Ele também admitiu que, na Idade Média, as instituições eclesiásticas tinham seus próprios escravos.

O papa disse que a Igreja só chegou a uma “condenação formal, absoluta e universal” da escravidão no século 19, sob o comando do papa Leão 13. Isso ocorreu após um longo período de inconsistência no ensino e na prática.

As declarações marcam a admissão papal mais explícita até hoje da responsabilidade institucional. Elas vão além de declarações de papas anteriores, que se concentraram nas ações de cristãos individuais e não no próprio Vaticano.

O papa João Paulo 2º, durante uma visita à África em 1985, pediu perdão aos africanos pelo sofrimento causado por “homens pertencentes a nações cristãs” no comércio de escravos. O antecessor de Leão 14, Francisco, condenou a situação dos escravos modernos e repudiou documentos papais do século 15 usados por potências coloniais para legitimar suas ações, que incluíam a escravidão.

Essas declarações, no entanto, não abordaram diretamente o papel da Santa Sé. Elas enquadraram a responsabilidade em termos mais amplos, ligados a cristãos ou circunstâncias históricas.

A intervenção de Leão 14 foi feita em sua encíclica de estreia, “Magnifica humanitas”. O documento aborda os desafios éticos da inteligência artificial e alerta sobre novas formas de exploração ligadas à economia global.

Uma pesquisa genealógica publicada após a eleição de Leão 14 no ano passado mostrou que o primeiro papa nascido nos Estados Unidos tem uma ascendência diversificada. Ela inclui tanto pessoas escravizadas quanto pessoas que usavam mão de obra escravizada.