domingo, 11 de janeiro de 2026

Maduro busca exílio em Belarus enquanto Rússia é cautelosa

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[email protected] 6 dias atrás - 4 minutos de leitura

No final de novembro, com a pressão militar do governo de Donald Trump sobre a Venezuela aumentando, Nicolás Maduro iniciou negociações com Aleksandr Lukachenko, ditador da Bielorrússia, para um possível exílio. A Rússia deu apoio a esse plano, já que considera Maduro um aliado importante na região, conhecida por sua proximidade com os Estados Unidos. Contudo, a operação não se concretizou, e agora Maduro se encontra detido e aguardando julgamento em Nova York.

Informações sobre as negociações foram reveladas por fontes em Moscou. Em 25 de novembro, Maduro enviou seu embaixador na Rússia, general Jesús Salazar Velásquez, a Minsk, onde o governo bielorrusso informou que tudo estava pronto para acolher o dirigente venezuelano. Inicialmente, Maduro preferia se dirigir a Moscou, mas o presidente russo, Vladimir Putin, hesitou em ofender Trump, especialmente durante as conversas sobre a Guerra na Ucrânia.

No dia 10 de dezembro, Trump intensificou sua pressão sobre o governo venezuelano ao apreender um petroleiro que transportava petróleo para Cuba. Um dia após essa ação, Velásquez retornou a Minsk, onde Lukachenko começou a fortalecer suas relações com a Casa Branca, libertando presos políticos em 13 de dezembro. Em troca, Trump aliviou algumas sanções sobre a Bielorrússia, estreitando os laços entre Lukachenko e Putin, mesmo com o bielorrusso não participando diretamente do conflito na Ucrânia.

Dois dias depois, Lukachenko declarou em uma entrevista que estaria aberto a receber Maduro, caso ele deixasse o poder, mas negou ter tido qualquer conversa com os venezuelanos. Fontes indicam que essa oferta ainda está em vigor, dependendo da posição de Trump em relação a Maduro após seu julgamento por narcoterrorismo.

O Kremlin avaliou a ação militar dos Estados Unidos como um erro político, mas a estratégia atual é de cautela. Apesar de muitos interpretarem que esse ataque abriria espaço para outros países intensificarem suas ações militares, a percepção russa é de que Trump, ao capturar Maduro, poderia endurecer sua posição em relação ao Kremlin na questão da Ucrânia.

Outra perspectiva sugere que as negociações de paz na Ucrânia não devem avançar e que Trump possa deixar a administração do conflito nas mãos de aliados europeus. Isso seria visto como desejável pela linha-dura do Kremlin, que acredita na possibilidade de vitória militar na Ucrânia. Por mais que a Europa tenha recursos, a dependência de Zelenski em relação às armas americanas para a defesa é um fator crucial.

Além disso, a avaliação em Moscou é de que Trump pode olhar para outros países além da Venezuela. O ex-presidente já mencionou a possibilidade de ações militares contra a Colômbia e vê o regime cubano como vulnerável. Enquanto isso, a retórica russa continua a criticar a captura de Maduro e a apoiar o governo chavista na Venezuela, mesmo que as ações concretas dos aliados de Caracas sejam limitadas a protestos, especialmente a China, que está ocupada com negociações comerciais com os Estados Unidos.

A relação entre Rússia e Venezuela começou a se fortalecer quando Hugo Chávez assumiu o poder em 1999, com Moscou fornecendo equipamentos militares avançados, como sistemas de mísseis e caças. Entre 2005 e 2013, aproximadamente R$ 80 bilhões em armamentos foram enviados à Venezuela. Em 2008, Putin enviou bombardeiros estratégicos para treinamento no país, e a presença militar russa na região era frequente.

Embora a relação entre Putin e Maduro tenha esfriado nos últimos anos, especialmente na parte econômica, contatos ainda ocorrem. A última reunião entre os dois aconteceu em maio, renovando a cooperação estratégica. As sanções do governo Trump em 2020 resultaram na retirada da Rosneft, petroleira russa, de várias operações na Venezuela, mas algumas parcerias ainda sobrevivem.

O futuro das relações entre Moscou e Caracas se torna incerto com a postura de Trump sobre o controle da indústria de petróleo venezuelana. Atualmente, o comércio entre os dois países é limitado, contabilizando cerca de R$ 6,5 bilhões, quase totalmente baseado na exportação de petróleo venezuelano para refino na Rússia.

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