14/04/2026
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Credores exigem 90% da Raízen

Credores e detentores de títulos da Raízen pressionam por até 90% da companhia. A troca seria pela conversão de cerca de 45% da dívida, conforme pessoas com conhecimento das negociações.

A fatia exigida é maior que a proposta inicial da empresa. Ela previa transferir cerca de 70% do controle aos credores em um eventual acordo de troca de dívida por ações.

O impasse acontece devido à resistência dos controladores, Cosan e Shell, em colocar novos recursos na companhia. Bancos como BTG Pactual, Itaú e Bradesco teriam sinalizado que podem restringir crédito a outras empresas do grupo Cosan. A condição é que não haja um acordo mais favorável aos credores.

A Raízen entrou com pedido de recuperação extrajudicial em março. A dívida é de cerca de R$ 65 bilhões, e a empresa tenta evitar a recuperação judicial. As negociações são aceleradas pelo prazo legal de 6 de junho para apresentar um plano.

A situação financeira difícil da companhia está ligada a alguns fatores. A combinação inclui juros elevados, investimentos que ainda não deram retorno e dificuldades operacionais nos negócios de açúcar e etanol.

Este caso ocorre em um ambiente mais amplo de deterioração do crédito corporativo no Brasil. Há uma sequência recente de reestruturações envolvendo empresas como GPA e Alliança Saúde. Outras companhias também avaliam medidas parecidas.

A Raízen é uma das maiores produtoras de álcool e açúcar do Brasil. Ela iniciou uma recuperação extrajudicial para tentar organizar uma dívida de quase R$ 70 bilhões. O processo busca definir os próximos passos para a empresa sair da crise.

O setor de energia e biocombustíveis no Brasil tem observado pressões semelhantes em outras empresas. A alta dos custos de financiamento e a volatilidade de preços de commodities afetam a rentabilidade. Esse cenário complica a gestão de dívidas contraídas em períodos de taxas de juros mais baixas.

A movimentação dos credores da Raízen reflete uma postura mais dura em renegociações de dívida corporativa. Institutos financeiros têm buscado condições mais vantajosas em acordos, dada a percepção de maior risco. A situação pode influenciar as tratativas de outras companhias com dificuldades financeiras.