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Violência política em país democrata?

No dia 13/05/2021, a equipe da vereadora Benny Briolly (PSOL) veio através das redes sociais da vereadora informar sua retirada do país devido aos números constantes de ameaças que ela vinha recebendo nos últimos meses. Sua assessoria diz que são incontáveis as vezes que a mesma sofreu agressões tanto na rua quanto através de redes sociais. Uma das ameaças que mais assustou a vereadora e sua assessoria, foi feito online onde dizia que “esperamos que a metralhadora de Ronnie Lessa te atinja” (Ronnie Lessa é um dos acusados da morte da vereadora Marielle Franco em 2018).

Outro caso de exílio que tivemos no país, foi o do deputado federal Jean Wyllys (PSOL), o caso aconteceu em janeiro de 2019, quando depois de diversas ameaças sofridas, o deputado resolveu se exilar para proteger sua própria vida. Esse exílio foi considerado o primeiro desde o fim da ditatura militar no país.

As ameaças contra vereadores e deputados ascendeu desde o ano de 2018 após o assassinato da vereadora Marielle Franco no dia 14 de março de 2018. Um crime que até hoje permanece sem respostas, tornou-se também uma “desculpa” para a destilação de ódio desenfreado contra esses parlamentares, o mais absurdo seriam as ameaças a vida dos mesmos, e quase sempre envolvendo o nome da parlamentar Marielle e de seus assassinos.

Não são apenas os casos de exílio que entram em pauta, mas também casos de ameaças que acontecem diariamente, que mesmo que não levem ao exílio do parlamentar, não devem acontecer da mesma forma. Deputadas como Talíria Petrone (PSOL) e Erika Hilton (PSOL) foram outras vítimas de ameaças. A deputada Talíria teve que andar com escolta policial durante sua gestação devido as ameaças que recebia através de mídias sociais, já a vereadora Erika Hilton, teve de abrir queixa na polícia após ser perseguida dentro da Câmara de SP.

É inadmissível que dentro de um país com regime democrático, nós tenhamos que exilar parlamentares que foram democraticamente eleitos de seus cargos. Dentro desse regime, quem o povo vota para estar dentro da câmara, lá dentro deve permanecer até o fim de seu mandato. Pensar que com o exemplo de Marielle, que foi uma das vereadoras mais bem votadas no ano de 2016, teve sua vida interrompida por conta de um crime que até onde as investigações andam, seria um crime político, é uma irresponsabilidade que tenhamos esse caso ainda aberto sem respostas para o atentado. Não falamos sobre questões partidárias aqui, mas sim sobre um regime que deve ser colocado em prática assim como é em tese. Um sistema democrático que mata e faz com que parlamentares tenham que ser retirados de seus cargos, não é um regime democrata 100% em vigor.