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Uma carta de amor às mulheres de Rohmer

Ao longo de toda sua vasta filmografia, Éric Rohmer se mantém fiel a alguns assuntos, sendo o seu principal, o ato de amar, visto que amar é amar. Até hoje, o ser humano não chegou nem aos pés de uma descrição ou análise que valha como um todo para as mil facetas dessa inconstante constante que nos acompanha por toda a vida. Trago para vocês, caros leitores, um pouco do amar de Rohmer e minha carta de amor a todas estas mulheres que tive o prazer de encontrar em suas obras, pelo curto período de uma hora e meia a duas horas nestes últimos meses.


Nesta viagem constante de diferentes locais e mesmos problemas, encontramo-nos em

praias e em pequenos apartamentos parisienses, desde o inverno até o verão, dentro de “Contos das 4 estações” e somos questionados a respeito de nossa moral em “Seis contos morais” e “Ma nuit chez Maud”. Rohmer sempre nos leva a indagar de maneira traiçoeiramente simples. Cotidianos ou férias compõem o cenário em que caminhamos junto de seus protagonistas. A princípio, seus filmes talvez se mostrem despretensiosos, mas saliento leitor: O que são nossos cotidianos e nossas férias se não a totalidade da extensão dos períodos de nossas vidas?


Enfim, às mulheres de Rohmer você me questiona, o que elas teriam de especial das outras mulheres? Digo-lhes: Absolutamente nada! Seu trunfo está na mundanidade e na veracidade de todas as suas mulheres. Ao assistir um filme protagonizado por uma delas (detenho-me aqui para afirmar que em minha opinião as mulheres sempre são as protagonistas de seus filmes, mas voltamos a isso depois) sentimo-nos como parte abiótica de sua trama, temos a sensação de que mesmo sem nós para assisti-los, tais personagens seguiriam interagindo e dando continuidade aos seus longos e despreocupados diálogos.


Outro aspecto interessante do diretor consiste aos questionamentos morais que enfrentam os protagonistas masculinos de sua trama, sendo sempre colocados em situações que testem seus valores perante às mulheres que de algum modo alteraram o curso de suas vidas, muitas vezes, por meras banalidades ou simples acasos. Mesmo com a maioria de seus filmes sendo protagonizados pela figura masculina, o real trunfo de sua obra está no modo que se desenvolvem e respiram as mulheres dentro de suas tramas.


Concluo por fim este texto, caro leitor, expressando meu amor por tais mulheres, mulheres que choram, que gritam, que sonham, que reclamam, que exigem, que comandam e que respiram, vivas, desprovidas da glamourização do cinema tradicional e belas perante toda à beleza nua das nuances de seu ser real.