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Tudo que não se vê

Atualizado: 21 de mai. de 2021

Comecemos com um simples exercício mental, imagine que você é proibido de comer sua comida predileta, não importam os motivos, o que importa é que você não pode comê-la. Rapidamente, você se revolta, fica bravo, chama de tirania e ojeriza absolutamente tudo que diga respeito aos algozes de seu gosto gastronômico. Então, em uma cartada de sorte, você consegue destituir as pessoas que o obrigavam a não comer determinado alimento, a partir disso, você que é o nutricionista chefe e cabe a você decidir os rumos alimentares de outrem; em uma sacada no mínimo curiosa, você obriga todos a comerem o alimento que você tanto gosta e os priva de escolhas alternativas. A pergunta que deve ser feita é: Você buscava a liberdade alimentar ou apenas lutava pelo que te convém?

Esta não é a única possibilidade, vejamos, se você em uma realidade hipotética e gosta muito de salada de tomate e os nutricionistas gerais decidem proibir o filé de frango, nada te importa, afinal não ataca seus interesses. Mas e o dos outros? Não importa né? Ou mesmo que importe, por que lutar por algo que não me diz respeito? Eu o faria com toda a volúpia do primeiro exemplo ou simplesmente abandonaria quando surgisse algum revés que me tirasse minimamente da zona de conforto... Em síntese, podemos dizer que uma parcela das pessoas não luta por liberdade geral, e sim pelo ideal inexistente da meia liberdade, que consiste em um interesse próprio acima de tudo, o que não teria problema enquanto atitude individual. O ônus encontra-se no campo político, neste, fica muito clara a intenção de destituição de governos autoritários, para estabelecer a própria supremacia.

E a partir do entendimento de que pessoas não lutam pela liberdade e sim para o que as convém — que representa um mandato igualmente tirânico com valores diferentes — podemos refletir sobre tudo o que não se vê no experimento social mais caótico de nossa história, o Socialismo. Curiosamente, revoltas populares tendem a ter o mesmo destino autoritário das organizações que elas buscam derrubar; vide a Revolução Francesa, que mesmo não sendo um exemplo de Socialismo, ilustra bem o dilema de alguns outros países que caíram na balbúrdia do marxismo. Na França, havia tamanha pobreza que mal era possível estimar, para piorar a situação, os tributos à coroa aumentavam cada vez mais, gerando uma insatisfação consensual que almejou a deposição do rei Luís XVI. Dito e feito, após tramas políticas para lá e para cá, quem encarregou-se do poderio francês foi um tal de Napoleão Bonaparte, que é dito, como um dos mais absolutistas e centralizadores chefes de Estado que pisaram em nosso mundo contemporâneo. Por fim, entendemos deste exemplo, que a Revolução Francesa tirou um câncer para implantar um tumor.

O mesmo aconteceu na Revolução Russa, da qual finalmente podemos discorrer sobre o Estado Socialista implantado após o término da revolução, com a queda do czar Nicolau II. É claro que Lênin não buscava liberdade, mas sim, o Socialismo, que curiosamente assemelhava-se ao regime anterior, engolindo absolutamente tudo que era produzido e alocando para as mãos do Estado vigente. Porém, a violência indiscriminada reinou mais do que em qualquer outro período da história russa; como previsto por Marx e Engels, a revolução do proletariado seria violenta e estabeleceria um novo período de reeducação social, em outras palavras, um expurgo daqueles que discordavam dos ideais soviéticos. Aqueles que pregavam a liberdade de ideias, religiosa e acreditavam na sociedade civil eram os grandes alvos do exército vermelho, para estes traidores da causa, o destino eram campos de trabalho forçado (que remetem certas estruturas impostas de 1939 a 1945) na Sibéria e no Cazaquistão, porém, eram poucos que tinham o luxo de serem remanejados para essas concentrações, a maioria era brutalmente assassinada, desde adultos a crianças. Agora em 1935, Stalin, introduziu o Art.12 do Código Criminal da URSS, que permitia o cárcere e pena de morte a crianças a partir de 12 anos, esta política buscava eliminar os descendentes de revoltosos, que segundo à figura onipotente de Stalin, carregavam em si a mesma rebeldia que seus parentes capitalistas traidores, esta politica é observada até hoje na Coreia do Norte, que remaneja estas pobres almas para campos na zona rural.

Podemos notar que a hipocrisia de Lênin, Stalin e seus apoiadores é gigantesca, uma vez que retiram um Estado Totalitário para colocar outro, que dessa vez, privilegia outra cúpula política. Mas em verdade, todos sabem que em efeito é a mesma coisa que representava o governo anterior, que perseguia quem opinasse, matava quem discordasse e aproveitava-se de quem buscava custeá-lo. Chegamos à fatídica conclusão inevitável, assim como monarquias de época e o nazifascismo, o Socialismo nada mais é do que opressão legitimada por um discurso agradável para o desavisado.

Pouco se difere o Socialismo do Nazifascismo, os dois buscam o expurgo da oposição e controle absoluto do Estado. A diferença pontual, ressaltada por Ludwig von Mises em seu livro “Caos Planejado”, é a cartelização do meio econômico pelo Estado Fascista, em vez de discursar contra a propriedade privada, os governos hitlerista e de Mussolini apoderavam-se da gestão das empresas e mantinham a faixada, sempre as colocando como os “camaradas que apoiarão o povo”, “os campeões do País” e outros autoelogios, afinal, não havia nenhum outro dono além do Estado. Explicada a particularidade podemos deduzir que a ação não se difere de uma estatização dos meios, ela, no nazifascismo, apenas não é enunciada.

Por fim, podemos dizer que todos os Estados tratados, acabam caindo no mesmo eixo de ações. E além das condutas, podemos observar mais uma semelhança, absolutamente todos estes acendem ao poder com a promessa de mudar a politica vigente, todos tentando anular uns aos outros, um Xadrez de tiranos contra potenciais tiranos. O pretexto é sempre trazer a liberdade, mas na conclusão, sempre há uma inversão. O oprimido torna-se o opressor e a grande verdade é que todos os citados são iguais, o absolutismo não tem varias formas, tem varias faces, que escondem o mesmo intuito: A opressão da liberdade em razão de algo que um grupo julga certo.