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Tubarão, um marco cultural

No verão de 1975 o mundo ficaria aterrorizado e maravilhado com um dos maiores sucessos de todos os tempos, “Jaws”.


“You´re going to need a bigger boat”

Com seus 29 anos, Steven Spielberg seria contratado pela Universal para dirigir um projeto para lá de ambicioso, a adaptação do best-seller que contava a história de um tubarão-branco que atacava as praias de uma pequena ilha. Ninguém contava com o sucesso estrondoso do filme, mas tampouco com o trauma que deixaria em todos os envolvidos. “A produção mais difícil que eu já participei, eu ainda tenho pesadelos sobre isso”, relata o diretor.

A decisão de gravar o filme no meio do oceano atlântico foi considerada por muitos como uma loucura, mas pior ainda foi a ideia de construir um tubarão mecânico de mais de sete metros e meio de comprimento. Spielberg justificava suas decisões com o argumento de que gostaria que o filme fosse o mais realista possível. Mas deu tudo errado.

Dias antes de começarem as gravações o tubarão ainda não estava pronto, quando o protótipo era colocado na água salgada sempre alguma coisa quebrava, ou ele não se mexia. O roteiro ainda estava por finalizar e metade do elenco ainda não havia sido selecionado.

No dia 2 de maio de 1974 começaram de fato as filmagens do longa, mas os problemas não pararam por aí. O tubarão ainda não funcionava e Spielberg se viu obrigado a mudar o direcionamento do filme. “Eu pensei no que Hitchcock faria naquela situação” ele diz. Mas dessa confusão surgiu a ideia que mudaria para sempre os rumos da sétima arte, a de não mostrar o tubarão, apenas sugerir a presença dele, porque nas palavras do diretor, “o que a gente não vê é muito mais aterrorizante”.