Buscar

Por que deixamos de falar português?

Atualizado: 4 de mar. de 2021

Muitas vezes saímos do Brasil, sem conhecer o próprio


Acordo de manhã, época das eleições. Ao som da playlist do Spotify nomeada Wake Up, me alimento de um bowl de frutas seguido de um bowl de cereais com leite. Depois, estudo ao lado do meu monthly planner, escrevendo no caderno com Live a good life estampado. Estou vestido com uma camisa na qual está escrito “Nevcom” e com um tênis All-Star. Durante o break, entro no jornal e vejo na capa “Joe Biden é eleito presidente!”. Comemoro como se meu time tivesse marcado gol, gritando pela casa. Ao lado, numa notícia secundária, também há uma notícia que o Greca ganhou a eleição municipal, mas para ela nem dou atenção, parece tão distante. Almoço num restaurante grill por perto. Na volta para casa, como um donuts para adoçar. Volto pra casa e assisto American Pie. Depois, passo um tempo estudando a criminalidade estadunidense, apenas por curiosidade. Hoje também é dia de Super Bowl, então me visto com o uniforme dos Buccaneers e aproveito o espetáculo (de anúncios).


Perceberam algo diferente? Pois é, por mais que possa parecer muito estranho, esse tipo de comportamento até “distópico” acontece diariamente. Poderia ter adicionado muitas coisas que acontecem que reforçam a minha visão. Um exemplo bem comum é na denominação de lojas e estabelecimentos. Quando se quer abrir uma padaria gourmet, nunca é colocado “Padaria” como nome e sim “Bakery”. Isso se torna grave a partir do momento que glorifica o estrangeiro como sendo o “bom” e o Português como o “comum”, “desprezível”.



Esse fenômeno também pode ser entendido como uma espécie de colonização cultural. Grande parte do que consumimos não é brasileiro e sim páginas, filmes e séries do estrangeiro. Isso pode ser uma coisa boa pois resulta na compreensão de outros pontos de vista. Mas também resulta no sucateamento de algumas áreas brasileiras, como a do cinema. Quando foi a última vez que consumimos um filme brasileiro? Certamente não é por falta de bons filmes, visto que “Bacurau” (2019) ganhou vários prêmios internacionais e nacionais.


O estrangeirismo, principalmente na