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Pelos caminhos de Erminia Maricato


Em um país no qual a arquitetura e o urbanismo são pilares fundamentais para a sua edificação e planejamento, o nome da pesquisadora, ativista, professora, arquiteta e urbanista brasileira, Erminia Terezinha Menon Maricato é meritório. A santa-ernestinense nascida em 1947 carrega consigo grandes feitos no decorrer de sua carreira ainda ativa, como a competência de ser a primeira mulher a receber a medalha de ouro da Federação Pan-americana de Associações de Arquitetos (FPAA), coincidentemente no Dia Mundial do Urbanismo, 8 de Novembro, que contempla ilustres colaboradores da disseminação e desenvolvimento da arquitetura e urbanismo nas Américas.

Além disso, a ex-aluna da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) se envolveu com afinco em movimentos estudantis durante a repreensiva Ditadura Militar e, participando da criação do Partido dos Trabalhadores. Especializada em planejamento urbano, possuindo mestrado e doutorado nos anos de 1977 e 1984 respectivamente. No ano de 1989, durante o governo de Luiza Erundina em São Paulo, torna-se Secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano, se estabelecendo até 1992.

A pesquisadora se tornou professora da graduação e da pós-graduação da FAUUSP. Também fundadora do LABHAB - Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAUUSP (1997), hoje considerado um dos importantes laboratórios de pesquisa na área de habitação. Em 2002 assume o cargo de Secretária Executiva do Ministério das Cidades, conduzindo uma legítima luta pela reforma urbana. Dentro do governo do ex-presidente Lula, a professora ajudou na construção da Política Nacional de Habitação, aprovada no ano de 2004 e vigente até os dias atuais. Com a chegada de 2005, a então secretária se desligou do cargo após a mudança do comando do Ministério das Cidades sobre o comando do PT, para o Partido Progressista (PP), o que demonstrava para ela uma inversão drástica nos valores e propostas.

Seu vínculo com a graduação se estendeu até 2010, quando se aposentou, permanecendo como professora colaboradora da pós-graduação, onde atua até hoje. Além das atividades de ensino, em maio de 2017 inicia-se o projeto Brasil Cidades (BR Cidades) sob a sua coordenação, o qual se apresenta como um movimento de ativismo em rede visando uma nova agenda urbana no país. Hoje em dia, a rede está presente em 17 estados, através de núcleos em capitais e municípios médios e pequenos, convertendo-se em um importante espaço de debate sobre formas de alcance do direito da cidade.

Por fim, é importante destacar seus livros, como “Metrópole na Periferia do Capitalismo”, “Habitação e Cidade” e sua última obra, “Para Entender a Crise Urbana” de 2015. A Arquiteta e urbanista se fez presente incessantemente em lutas e movimentos sociais, marcando época e se tornando referência nos meios pelos quais perpassa.