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Os 23 judeus recifenses e o pioneirismo Nova-Iorquino

Motivados pela riqueza natural e o potencial da produção da cana-de-açúcar no Brasil Colônia, sob domínio português, a Holanda passou a se interessar em estabelecer controle na região, assim como outras nações europeias. Após uma tentativa fracassada de invasão em 1624, seis anos mais tarde, os holandeses conquistaram uma região que se estendia pelo litoral nordestino, onde foi fundado o que veio a ser conhecido como Brasil Holandês. Sediada em Recife, o qual, ficando atrás somente da participação espanhola, foi o domínio não lusitano e estrangeiro mais duradouro em terras brasileiras.


Diferentemente do regime português, exclusivamente católico, a presença da Holanda, que adotava tendências Calvinistas e mais flexíveis, proporcionou que habitantes do Brasil Holandês praticassem abertamente atividades de outras religiões além do catolicismo. Assim, essa oportunidade motivou significativamente grupos de portugueses judeus, convertidos à força pela Igreja Católica e que haviam fugido para Holanda anos antes, a mudarem-se para o outro lado do Atlântico junto a colonos holandeses. Além disso, também alcançou habitantes do Brasil colônia que antes privaram-se de práticas judaicas por medo da inquisição.

Entretanto, o ano de 1654 marcou o declínio do Brasil Holandês. Com isso, judeus estabelecidos na colônia, expostos, viram-se obrigados a desaparecer da vista das autoridades portuguesas. Enquanto alguns encontraram como alternativa a fuga para a região do sertão nordestino, na época pouco conhecida, outros pretendiam fugir para Amsterdã.




Cerca de 600 judeus e outros refugiados, embarcaram em navios rumo à Holanda, mas, um deles foi interceptado por piratas durante a viagem e, graças ao resgate de um navio francês, a viagem terminou na Jamaica. Após o contratempo, a grande maioria dos viajantes seguiu para a Holanda, contudo, 23 dos judeus, cujos filhos nasceram em terras brasileiras, embarcaram em direção a Nova Amsterdã.

Nova Amsterdã era um mero entreposto comercial de domínio holandês cuja localização corresponde à atual cidade de Nova York. A princípio, o pequeno grupo não foi bem recebido pelo governador da cidade, Peter Stuyvesant, que t