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O sucateamento da cultura brasileira.


Na última quinta-feira (29), o Brasil inteiro se chocou com o incêndio na Cinemateca Brasileira, localizada na Vila Clementino em São Paulo. O risco de acidente já havia sido alertado nove dias antes pelo Ministério Público Federal (MPF) em audiência com o governo federal. Funcionários e trabalhadores também já vinham alertando sobre esses e outros riscos. A instituição era responsável pela preservação e difusão da produção audiovisual brasileira. A cinemateca tem o maior acervo da América do Sul, com cerca de 250 mil rolos de filmes e mais de um milhão de documentos relacionados ao cinema. Portanto, além de uma perda sentimental para muitos brasileiros, o prejuízo histórico e cultural também é muito grande.




O incêndio é uma tragédia anunciada há muito tempo e reflete o sucateamento da cultura no território nacional. Em Setembro de 2018, o Museu Nacional, localizado na Quinta da Boa Vista no Rio de Janeiro também foi destruído por um incêndio. Mais uma fatalidade planejada. Os valores destinados à manutenção da instituição vinham sendo reduzidos desde 2013, último ano em que a União repassou integralmente os já R$ 520 mil anuais. Desde então, os valores para manutenção decresceram, chegando, ao valor, de cerca de R$ 50 mil ao fim do último quadrimestre. Para um acervo bicentenário que testemunhou momentos fundamentais da história nacional, tais valores eram insuficientes para fazer frente às necessidades de reparo, reconstrução e instalação de sistemas de segurança que o museu desesperadamente requeria ao longo de décadas.


A cinemateca e o Museu Nacional são símbolos de resistência. Parte fundamental da política desse sucateamento e desmonte da cultura brasileira e a prática da censura, foi agravada na gestão do atual secretário, Mário Frias. Os incêndios refletem a falta de incentivo e o descaso dos aparelhos de conhecimento do território nacional. É o apagamento da nossa história. E enquanto os nossos governantes não entenderem que arte e cultura são símbolos de resistência, continuaremos lutando.