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O Mundo das Redes

Atualizado: 5 de dez. de 2020

Trocamos nossa identidade por aprovação social




Aldous Huxley em 1932, escreveu a obra “Admirável Mundo Novo”, uma distopia futurista em que todo o comportamento, preferências e desejos eram manipulados; um lugar onde todos deviam ser felizes, e ao se depararem com um problema, tinham uma droga para se automedicar - a SOMA, que trazia a felicidade instantânea. Para o autor, não seria necessário um Grande Líder para controlar o mundo, as próprias pessoas iriam se viciar na opressão, idolatrando as tecnologias que suprimem o próprio direito de pensar. Essa distopia imaginada pode estar se tornando cada vez mais próxima da realidade, por meio das redes sociais, ao longo dessa segunda década do século XXI.

As redes sociais são uma ótima ferramenta: reúnem as famílias desconectadas, ajudam a comunicação rápida e fácil, promovem pessoas e boas causas. Porém, nem tudo são flores. O modelo baseia-se na “curtida”, na atenção dada a cada postagem. A cada “curtida”, o algoritmo consegue conhecer mais e mais sobre o usuário, suas preferências e gostos, oferecendo recomendações a partir dessas informações, deduzindo quem você é e o que quer comprar para gerar lucro, ou seja, o produto é você. Por meio do registro das “curtidas”, as grandes corporações sabem de tudo sobre todos, com poder da manipulação das informações em massa e o domínio sobre um ciclo vicioso, que torna os usuários presos às suas redes sociais.

E o que é esse ciclo vicioso? O ciclo se baseia em um conceito primitivo da espécie humana, a aprovação. Ao realizar uma postagem, todos esperam algumas “curtidas”, que é a validação social do seu gesto, e ao recebê-la, o cérebro libera dopamina, que traz alegria, assemelhando-se muito com a SOMA, de Aldous Huxley. Da mesma maneira, quando não obtêm a aprovação desejada, o usuário fica triste, por não ter a validação de seu grupo e na busca de nova aprovação, tem a necessidade de mais uma postagem para se “redimir” e assim construir uma imagem ideal de si para os demais. Diferente da distopia, quando todos devem ser felizes, na realidade atual, todos ficam deprimidos. Desta maneira, por meio de infinitas notificações, as redes sociais dominam e chantageiam o próprio usuário, na busca pela felicidade.

Cada pessoa tem o seu próprio feed, como uma bolha, com as postagens que possa vir a curtir, deduzidas dos seus gostos e preferências. Cada pessoa possui a sua própria bolha, com as coisas que acredita e gosta, e enxerga a realidade a partir desse filtro, através do qual constrói uma falsa percepção de que apenas os seus interesses importam. Assim, ninguém compartilha a mesma realidade, cada um possui as suas próprias verdades, inviabilizando o diálogo entre os diferentes, polarizando a sociedade e afetando a democracia.

Diante de tudo isso, o que fazer? O primeiro e mais importante passo é reconhecer o problema, e saber os benefícios e as armadilhas das redes sociais. Depois, algumas sugestões podem ajudar a olhar para além da sua bolha: desativar as notificações, seguir pessoas que não compartilham o mesmo ponto de vista e cronometrar o tempo gasto em redes sociais (uma sugestão: 45 min e