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O mosaico



Acompanhe-me caro leitor até uma sala, uma sala única, sem dimensões nem

propriedades físicas, um local de ausência terrena, onde apenas um pouco de

luminosidade natural preenche o ambiente. Em seu centro repousa um banco, a sua

frente existe uma única parede coberta por um lençol muito branco. Convido-o a

arrancá-lo e sentar-se a observar a parede recém-descoberta.


Onde anteriormente constituía-se um lençol, agora revela-se um mosaico

muito colorido que destoa belamente de todo ambiente ao seu redor. Ao olhá-lo,

percebemos que sua forma é incerta, turva, composta de uma incerteza míope.

Somos todos míopes e mesmo míopes ainda conseguimos distinguir suas infinitas

cores e um reflexo enevoado de sua real forma.