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O futuro de Wall-e já é hoje

Atualizado: 5 de dez. de 2020

Wall-e é um filme de animação, lançado no ano de 2008, sucesso de bilheterias e acessos. A história acontece num futuro distópico, no ano de 2788 d. C., após o planeta Terra ter sido abandonado, soterrado pelo excesso de lixo e poluição. Os humanos habitam uma nave espacial, comandada pela empresa “Buy-N-Large”, que dita os padrões de vida e consumo. Aqueles que ali estão como passageiros são obesos e permanecem acomodados em cadeiras flutuantes, supridas suas necessidades automaticamente por uma tripulação de robôs, sem qualquer contato pessoal entre si e entretidos por diversões padronizadas em suas telas individuais. Hoje, séculos antes do previsto pelo filme, muitos aspectos da vida naquela nave espacial se confirmam no cotidiano.



Um dos destaques dessa visão antecipada de um futuro insustentável é a questão ambiental. Como resultado do excesso do consumo, o lixo se acumula e o planeta Terra se torna inabitável: não existem ruas ou plantações, as áreas públicas são tomadas por pilhas de resíduos sólidos e o paraíso está num outro lugar, anunciado pelas propagandas que ainda circulam, apesar de defasadas. Nos dias de hoje, antecipando a previsão distópica, a poluição já se torna, indiretamente, uma das maiores causas de morte, com cerca de 9 milhões de vítimas anuais das complicações decorrentes de doenças ligadas à poluição, além da degradação do meio ambiente. Esse dado serve de alerta, sem consciência ou responsabilidade da população pela quantidade de lixo resultante do atual padrão de consumo. Tomando como exemplo as queimadas, evento cada vez presente e divulgado pelas mídias em diversos ecossistemas, as leis ambientais são suficientes para evitar sua ocorrência ou são necessárias outras providências, como uma melhor educação ambiental e o manejo mais adequado dos recursos e a prevenção aos incêndios criminosos? Devemos abandonar o pensamento antropocentrista e adotar outro modelo, assumindo que o homem faz parte da natureza, ou vamos continuar com o seu desfrute irresponsável? Afinal, o homem é parte da natureza, ou dono absoluto dos recursos naturais, que são finitos? São as leis ambientais suficientes para prevenir a degradação total do ambiente natural, ou esta é uma questão moral? E onde está o paraíso?