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O fetiche moderno da educação como instrumento de salvação

Chegamos a uma fase da humanidade em que se olharmos a nossa volta, veremos uma sociedade majoritariamente composta por perdidos. Com o advento da tecnologia, o ser humano entra em uma nova fase mundial, na qual o excesso de informação, qualificação e cobranças, leva-nos a fragmentação da concepção de mundo.


Como cura a toda essa perdição do ser perante a transição, a educação é elevada a um patamar de “fetiche social”, no qual falsos mentores buscam vender formação acadêmica ou a completude, por meio de cursos e palestras, situação que nos leva a traçar um paralelo histórico com os sofistas da Grécia Antiga. A falácia se encontra no meio acadêmico com a venda da ideia de que só a educação irá salvar o mundo, mas lhe pergunto o que seria tal educação? Para a escola seria o método, a habilidade de se entender e aplicar a técnica, o preciso e indiscutível conhecimento pragmático.


De maneira cômica, tal pragmatismo leva-nos de embate ao real mal que assola e enraíza tal perdição: O subjetivismo. O ser humano não sofre perante a técnica, a mesma está extremamente bem definida e intrínseca na sociedade que o rodeia, o ser da modernidade sangra com a ferida interior. Onde antigamente a religião preenchia a alma humana o hoje rompe um buraco que arde no fundo do ser, o sentimento de incompletude, falta, insuficiência....


O homem contemporâneo é doutrinado a achar substância na busca profissional e material, na concorrência e na selvageria do mercado de trabalho. O conhecimento e a educação da modernidade não se passam de prostitutas do saber, drenadas e usadas de maneira sádica pelo seu poder alavancador de status social e cultural. O novo conhecimento é um simples subproduto do consumo.


Na atualidade, não se lê Dostoievsky com o intuito de sentir a obra, delicia-la de forma ampla e humana, vivemos um paradoxo em que o ser necessita de todas as respostas, uma busca infinda de rotulação e dissecação de tudo que o envolve, a morte ao subjetivismo e o sanguinário assassinato da verdadeira arte, portanto, não se compreende Dostoievsky, se analisa. Toda produção humana está sujeita na atualidade ao escárnio pelo método científico.