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O ensaio de Unabomber

O terrorista doméstico Ted Kaczynski obteve fama após ter sido identificado como o “Unabomber”, autor de uma série de atentados à bomba, que deixaram três pessoas mortas e outras 23 feridas. Os atentados ocorreram entre 1978 e 1995.

Deixando toda a história do homem e dos atentados um pouco de lado (as quais facilmente tomariam mais de uma coluna) resolvi abordar alguns aspectos relevantes de sua principal obra, um ensaio publicado nos jornais The New York Times e no The Washington Post, em 1995.



No ensaio referido acima, chamado de “A sociedade industrial e seu futuro”, Kaczynski explora as consequências da sociedade industrial na vida do ser humano, realizando criticas e reflexões acerca das profundas mudanças que esta trouxe para a sociedade, a qual ele chama de “Desastre para a raça humana.” Para ele, a revolução industrial tornou a vida das pessoas um verdadeiro inferno psicológico, submetendo as pessoas a atividades pouco naturais e indignas. Além disso, Kaczynski argumenta que em países de terceiro mundo, esse sofrimento passa de psicológico para físico, e também causou danos naturais por vezes irreversíveis. Segundo o ensaio, todos esses fatores inevitavelmente irão resultar em um grande colapso social e econômico, incrementando o sofrimento ainda mais.


Para o autor, mesmo que o sistema tecnológico-industrial avance o suficiente para reduzir os níveis de sofrimento da população, isso só ocorrerá depois de um grande processo “penoso”, onde o ser humano e outros organismos vivos seriam reduzidos a peças e engrenagens da máquina social. Em sua publicação, o autor defende que deve existir uma revolução contra o sistema industrial, que utilize violência e seja súbita, ou que não utilize violência e seja “relativamente gradual”. O texto também deixa explicito que esta não se trata de uma revolução política. O objetivo não é derrubar governos, e sim as “bases econômicas e tecnológicas da sociedade atual”.


É importante ressaltar que nesse mesmo ensaio, Kaczynski deixa claro que sua ideologia não compactua com o que ele chama de “esquerdismo moderno”, dedicando um capítulo para criticar os ativistas de esquerda severamente, chamando-os de anti-individualistas e adeptos da mentalidade de perdedores. Portanto, não se deve confundir o pensamento exposto em “A sociedade industrial em seu futuro” com movimentos vinculados ao anarquismo clássico ou ao sentimento anticapitalista, visto que o autor deixa claro o seu desgosto pelos mesmos. Mais recentemente, teve as suas ideias e atos associados ao movimento ‘‘anarco-primitivista”, mas Theodore chegou a publicar de dentro da prisão, em 2008, uma crítica ao movimento mencionado acima, declarando definitivamente que se distancia de qualquer organização de caráter an