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O conceito problemático da “Girl Boss”

Em 2014, Sophia Amoruso, diretora executiva da marca Nasty Gal, publicou o livro “#Girlboss”. A palavra é sinônima com “garota chefe” e, desde a publicação do livro, o termo tem sido disputado inúmeras vezes devido a sua correlação com o feminismo branco e sua desconsideração da interseccionalidade no feminismo. Compreendendo essas expressões, é perceptível por que o conceito de “girl boss” é tão problemático.


Por meio de tal “feminismo branco”, os esforços das mulheres de comunidades marginalizadas 一 sendo por termos raciais, étnicos ou socioeconômicos一 tornam-se secundários ou até ficam esquecidos. Com origens no movimento das sufragistas, a ideologia não é nenhuma novidade. O conceito geral está centrado nas conquistas individuais e capitalistas da mulher, frequentemente com propósitos de sucessos financeiros. Ao invés de questionar ou agir de formas modificantes contra os sistemas opressores das políticas de poder, o feminismo branco procura prosperar por meio de seus termos. Contrariamente, às mudanças estruturais, tal ideologia se centraliza nos interesses pessoais, portanto não contribuindo de forma substancial alguma às lutas feministas. A ideia geral é a aquisição de poder como ponte à igualdade, em oposição a sua redistribuição.


Assim, por meio desse conceito de feminismo branco, o recente título de “girl boss” é o epítome de seus valores, e está finalmente sendo criticado pela sua singularidade em relação ao progresso feminista. A concepção da mulher na ocupação de uma posição de poder dentre o padrão de homens, aparenta ser positiva, porém não há nenhuma prosperidade consecutiva presente. A ideia de promover o trabalho com fins de tornar-se uma “girl boss”, desconsidera a adversidade que muitas mulheres sofrem, sendo que a maioria das que alcançam a posição de poder para denominar-se do termo, têm o privilégio de serem brancas. Portanto, a cultura da “girl boss” é contraproducente, pois não abre mão a interseccionalidade e só foca nas mulheres que já adquiriram a vantagem de somente ter seu sexo como sujeito ao preconceito.


Logo, a importância da interseccionalidade torna-se cada vez mais predominante na discussão do feminismo. O termo enfatiza as diferenças discriminatórias que mulheres de diversas raças, camadas sociais, sexualidades, etc., experienciam. A desigualdade não afeta todo mundo da mesma forma, especialmente quando há uma superposição de preconceitos. Por exemplo, a mulher negra tem menos privilégios na sociedade do que a mulher branca, devido a ambos sua raça e seu sexo. À vista disso, a discriminação é ampliada na interseção de diversos prejuízos.


Portanto, o conceito da “girl boss” não cabe no femin