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O Adeus de Merkel



Após dezesseis anos à frente da Alemanha, Angela Merkel deixa nos próximos meses a chancelaria alemã. Em seus quatro mandatos, Merkel deixará um legado de destacada liderança, negociação, diplomacia, estabilidade e resolução de crises. Ela também se torna a segunda chefe de governo com mais tempo de chancelaria, atrás apenas do lendário Helmut Kohl, principal responsável pela unificação da Alemanha.


Merkel sai do poder com grande prestígio, com uma alta taxa de aprovação dentro do próprio país (que foi mantida ao longo de todo seu período como chefe de governo) e a maior aprovação entre os líderes europeus. Em seu tempo como chanceler, Merkel colocou a Alemanha como a principal força da União Europeia, manteve o bloco unido após a saída do Reino Unido, lidou com todas as instabilidades econômicas no continente decorrentes do colapso econômico de 2008 e liderou a organização da Europa para a crise dos refugiados que iniciou-se em 2011 e perdura até hoje. No âmbito doméstico, Merkel elevou a economia alemã a novos patamares, aumentou o desenvolvimento do país nas áreas da educação, saúde, transporte e reduziu desigualdades sociais. Um rosto familiar em conferências internacionais, a ausência da alemã será certamente sentida.


O motivo de sua saída é simples: uma aposentadoria. Para a segurança da democracia e da rotatividade de poder, é comum que ocorra esse tipo de manobra política. A troca de poder deve ocorrer após a efetivação dos resultados da próxima eleição federal alemã, a ser realizada no dia 26 de setembro de 2021. Esse processo de confirmação pode durar de uma semana a vários meses. Isso ocorre pois a eleição de um novo chanceler depende da formação de uma maioria no Bundestag, o parlamento alemão. Caso nenhum candidato consiga efetivar uma coalizão majoritária, um novo pleito deve ser convocado e o chefe de governo em exercício, a Merkel neste caso, permanecerá no cargo interinamente.


Esse é um cenário bastante possível tendo em vista a grande indeterminação do sucessor de Merkel. O União (CDU/CSU), partido da chanceler, liderava confortavelmente as pesquisas até o final do mês de agosto, quando o Partido Social-Democrata (SPD, na sigla em alemão) o ultrapassou e tomou, por uma pequena margem, a vantagem. Com pouco mais de 5% de diferença dos dois partidos, Os Verdes também aparecem como fortes candidatos à vitória no pleito.


O candidato da União à chancelaria é Armin Laschet, um político de centro-direita cristão, mas que possui posicionamentos progressistas em assuntos sociais e políticas econômicas que seriam consideradas de esquerda no Brasil. Apesar da popularidade de Merkel e da preferência geral da população pelo partido, Laschet é um candidato muito impopular que tem afastado os eleitores do CDU/CSU.


Do outro lado, o social-democrata Olaf Scholz, de centro-esquerda, aparece como um candidato muito popular em