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Nova crise no mundo pós-pandêmico

Uma das principais pautas do século XXI é a questão ambiental: caça predatória, desmatamento, eventos climáticos devastadores e recorrentes, queimadas, temperaturas extremas, entre muitos exemplos que levam ativistas, chefes de Estados, especialistas e leigos a discutir frequentemente: qual será o destino que daremos ao nosso Planeta? Também é nesse contexto que é lembrado o alto nível de produção de lixo ou descarte indevido de resíduos sólidos, o qual acrescenta toneladas aos aterros sanitários ou espalha seus restos ao longo de locais inimagináveis. Além de tudo, é possível que a pandemia da COVID-19 tenha gerado um agravante para esse dilema.


A crise sanitária da COVID-19 que tomou proporções globais afetou variados setores na sociedade de diferentes maneiras e intensidades, mas principalmente afetou a saúde de muitas pessoas e provocou quase 2 milhões de mortes apenas em 2020. Em vista disso, a população global passou a adotar medidas preventivas contra a doença, através do distanciamento social, higienização de objetos e mãos, e ainda, o que permitiu uma relativa normalização das nossas vidas, a utilização dos EPIs - Equipamentos de Proteção Individual - como luvas e máscaras, antes utilizados, geralmente, em casos específicos e direcionados a certas profissões. Esses mesmos EPIs, os quais tiveram papel fundamental na contenção da pandemia, podem representar um novo valor, dessa vez nocivo, não apenas para os humanos mas para vários ecossistemas.




Foto: Enrico Mesti


Em vista da crise sanitária mundial, houve um claro aumento da demanda de produção dos equipamentos de proteção individual, estima-se que 52 bilhões de máscaras foram produzidas em 2020. Consequentemente, cresce a quantidade do descarte desses materiais, onde o problema começa. No Brasil, por exemplo, o aumento foi de 70% (Abrelpe) e cerca de 12 bilhões de máscaras foram descartadas até a metade de 2021 (Instituto Akatu).


Essas grandes quantidades de resíduos hospitalares e EPIs descartados preocupam ambientalistas, já que, quase a totalidade desses produtos são inviáveis para reciclagem, devido ao alto risco de contaminação, e o pouco que é reciclado passa por um processo complexo e caro. A outra parte significativa desses resíduos é, muitas vezes, descartada indevidamente, podendo ser encontrada nas ruas das cidades, áreas de preservação ou matas nativas e chegar até os oceanos. Esses resíduos permanecerão no ambiente por grandes períodos. Máscaras, por exemplo, podem levar em média 500 anos para completar sua decomposição, dependendo do material com que foram produzidas; no caso das máscaras cirúrgicas descartáveis, são em grande parte, feitas de polipropileno, ou seja, plástico.