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Iêmen: entenda o conflito

Os conflitos mundiais são marcados por diversas problemáticas e transgressões aos direitos humanos. Violência, fome, pobreza, insalubridade e mortalidade infantil são apenas uma parcela do pesadelo que assola o Iêmen, um pequeno país árabe que, segundo a Organização das Nações Unidas, sofre a pior crise humanitária do mundo. Dados da UNICEF apontam que cerca de 24 milhões de pessoas – mais de 80% da população do país – necessitam de alguma forma de amparo. Mas como a nação iemenita alcançou esta grave conjuntura? Para compreender melhor, é fundamental analisar os fatores históricos, políticos e religiosos que induziram ao conflito.


Desde que foi estabelecida, a partir da junção dos Estados do Sul e do Norte, em maio de 1990, a República do Iêmen é marcada por um histórico turbulento e conflituoso. Esses conflitos, entretanto, intensificaram-se durante um período conhecido por “Primavera Árabe”, em que milhões de habitantes do Oriente Médio e Norte da África protestavam contra os governos corruptos e autocráticos1 dentro de seus países. Nesta onda revolucionária, a população iemenita foi às ruas pedindo o fim do governo de Ali Abdullah Saleh, que iniciara seu mandato juntamente à unificação do país.

Apesar de o início dos protestos parecer uma aproximação à um futuro melhor e ter, realmente, conquistado a saída de Saleh, o povo jamais imaginava o que estava por vir. Foi em meados de 2014 que a guerra civil iniciou-se, de fato, no país, com a tomada da capital pelos Houthis (rebeldes do norte), e a captura do então presidente Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi. O objetivo das forças revolucionárias era, mais uma vez, derrubar um governo que não servia aos seus interesses e, segundo eles, acabar com a interferência estadunidense na região.

Com isso, entra-se em uma parte significativa do conflito – a ação internacional. Segundo a professora e analista de Relações Internacionais Morena Abdala, existe um grande interesse das nações – não só da região, mas também das grandes potências – em exercer influência sobre o Oriente Médio, por ser um local estratégico para o comércio mundial, bem como possuir 1 Autocracia; governo centralizado em um único indivíduo, detentor do poder ilimitado e absoluto. abundância de petróleo – um combustível fóssil que ainda alimenta boa parte das indústrias. Deste modo, a guerra do Iêmen