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Fast fashion e a escravidão contemporânea

O conceito de fast fashion, ou, em português, “moda rápida”, surgiu em 1990 com o barateamento tanto da mão de obra quanto da matéria-prima na indústria têxtil. Dessa forma, lojas como Zara e H&M começaram a produzir roupas que lembravam a alta costura, mas que tinham custo baixo e menor tempo de duração. Ao longo do tempo, essa forma de produção chegou ao Brasil, caracterizando marcas muito conhecidas no país, como Renner e Riachuelo.

Como se pode imaginar, esse tipo de produção de roupas possui muitos impactos negativos, sejam estes sociais ou ambientais. A indústria da moda tornou-se uma das mais poluentes do mundo, por se utilizar de tinturas de baixa qualidade, insolúveis ou produtos à base de metais pesados. Além disso, por serem de baixa qualidade, as roupas são descartadas muito rapidamente, o que gera uma quantidade de lixo absurda. São produzidas, apenas no Brasil, cerca de 170 mil toneladas de resíduos de tecidos todos os anos.

Indubitavelmente, outro problema gravíssimo que as marcas de fast fashion trazem é o trabalho escravo. Em 2011, por exemplo, três oficinas de costura fornecedoras da Zara em São Paulo foram flagradas com 67 bolivianos e peruanos em condições análogas à de escravos. De acordo com matéria de moda da revista Marie Claire, estima-se que existem 100 mil bolivianos trabalhando em condições análogas à escravidão em 8 mil pequenas confecções na capital paulistana. Dessa forma, a grande maioria da mão de obra dessas indústrias de fast fashion são imigrantes. Isso ocorre pois, como explica Renato Bignami, auditor-fiscal do Ministério do Trabalho, os imigrantes já chegam ao Brasil devendo a seus patrões, pois eles cobrem os custos da viagem. Consequentemente, essa dívida gera uma relação de servidão, o que torna esses imigrantes presos a seus contratadores.

Há muitas marcas que escravizam as pessoas e, infelizmente, isso é muito recorrente. Entretanto, como é possível resolver esse problema? Como saber se a marca que você compra se utiliza de trabalho escravo? Um bom começo é pesquisar, afinal há muitas marcas que já foram denunciadas e flagradas. Outra dica importante é acessar o site Fashion Revolution Brasil, que possui o projeto Índice de Transparência da Moda, existente desde 2016. A análise indica como as grandes marcas estão divulgando publicamente suas informações sobre o assunto e o nível de transparência em suas ações. Além disso, é vital também usar as redes sociais para combater esse problema, por exemplo, levantando hashtags e questionamentos acerca de como as roupas estão sendo produzidas, para incentivar a maior divulgação das empresas no modo como são feitos seus produtos.

O trabalho escravo contemporâneo é, tristemente, a situação em que muitos se encontram atualmente, e por isso deve ser combatido. Não é uma tarefa fácil, já que as empresas que escravizam seus trabalhadores muitas vezes possuem dinheiro suficiente para acobertar seus atos. Entretanto, se as pessoas começarem a pesquisar mais sobre o que compram, e não utilizar marcas que possuam esse tipo de trabalho, além de se mobilizarem sobre o assunto, isso trará visibilidade e atenção das pessoas, o que, aos poucos, pode gerar grandes mudanças e mais justiça a esses trabalhadores das indústrias da moda.