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Eu perdi a minha mãe para a COVID

Foi inacreditável e doloroso acordar no dia 9 de maio de 2021, o meu primeiro Dia das Mães desde que minha mãe faleceu no início de abril. Portanto, decidi escrever este artigo extremamente pessoal, mas que considero muito importante para mim e para você, leitor.


Da esquerda para a direita: Gabriel (o colunista), Leonardo (pai do Gabriel), Luciana (mãe do Gabriel) e Mayara (irmã do Gabriel)


No dia 18 de março, minha mãe começou a apresentar alguns sintomas da COVID-19: tosse seca, cansaço e falta de apetite. Aqui em casa, nós consideramos a possibilidade de ela ter, de fato, contraído a doença muito pequena, afinal nossa última saída de casa havia sido há muito tempo. Infelizmente, nossas expectativas estavam erradas e quatro dias depois, minha mãe testava positivo para o exame que detectava a presença do vírus.


Não sabemos até hoje como o vírus entrou dentro da nossa casa, mas, de alguma forma, ele chegou. Depois dos resultados do teste, isolamos minha mãe no quarto dela e encomendamos testes para o resto da família. Não parecia ser algo muito ruim, mas minha mãe estava bem cansada e era doloroso vê-la doente daquela forma, porém eu não podia nem dar um abraço nela para ajudar a aliviar a dor - tanto minha quanto dela.


Quatro dias depois, eu e minha irmã testamos negativo, mas meu pai havia sido contaminado. Ele, de fato, já vinha apresentando os mesmos sintomas da minha mãe e foi apenas uma confirmação das nossas suspeitas.


No dia seguinte, minha mãe teve uma piora e um médico amigo da família recomendou que ela fosse ao hospital. A vontade de dar um abraço de despedida naquele momento era grande, mas eu tive medo de contrair o vírus. Olhando para trás, esse deve ser um dos meus maiores arrependimentos. Aquele último abraço que nunca poderei dar. A última vez que eu vi a minha mãe pessoalmente foi ela deitada no carro partindo para seu destino final.


Minha mãe foi internada, sem possibilidade de visita. Nós fazíamos videochamadas todos os dias, mas ainda era difícil vê-la no hospital, incapacitados de dar abraços e acolhimentos naquele momento tão difícil. Ao mesmo tempo, a doença pegava de vez o meu pai e o mantinha de repouso praticamente o dia inteiro.