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Espionagem: segurança ou quebra de privacidade?

Espionar, monitorar, vigiar. Todas essas palavras denominam o que é a quebra de privacidade. Com o passar do tempo, o mundo foi evoluindo e criando cada vez mais tecnologias passíveis de garantir a segurança e proteção da população, sejam estas câmeras, alarmes eletrônicos, e até mesmo aparelhos celulares e computadores. Entretanto, é possível assegurar que todas essas ferramentas são para a segurança? Tristemente, como mostra a história do mundo, há muitos sedentos por poder, o que leva ao abuso dessas formas de tecnologia, conjurando consequentemente na quebra da privacidade dos indivíduos.


Sob esse viés, é importante ressaltar que a espionagem se acentuou durante a Guerra Fria, já que, por conta da disputa espacial e armamentista que ocorria entre Estados Unidos e União Soviética, houve grande evolução de aparatos tecnológicos. Estes, então, eram usados para espionagem, de modo a obter informações privilegiadas sobre o inimigo. Desse modo, a potência capitalista dispunha da CIA, e a socialista, da KGB, ambas agências de espionagem criadas durante esse período. Por conta dessa disputa por influência e poder, os dois países criaram um arsenal de guerra inimaginável, com bombas e armas capazes de causar um grande estrago no mundo inteiro. Isso mostra que grande parte da tecnologia adquirida era ou para fins bélicos, ou de espionagem, e nenhum deles garantia de fato a segurança da população, mas sim o domínio e influência de seus governantes.


Diferentemente do passado, a guerra que ocorre nos tempos atuais é comercial, e ocorre entre Estados Unidos e China, estes dois possuindo os melhores PIBs mundiais. Além disso, esses países foram responsáveis pela criação de redes sociais extremamente utilizadas, tais quais Tik Tok e Instagram. Através desses aplicativos, se iniciou uma nova era de controle, evidenciada pelo filme “Dilema das Redes”. Essa obra cinematográfica mostra como os algoritmos presentes nesses aplicativos, e coleta de dados realizada por eles, são utilizados para promover controle social e, sobretudo, manipular o comportamento de compra de cada indivíduo.


Em continuidade, é essencial citar a importantíssima obra “1984”, escrita pelo homônimo autor George Orwell, que demonstra que até mesmo na literatura se pode encontrar críticas a respeito da sociedade de controle. Em seu livro, através do personagem “Grande Irmão”, é evidenciado como a segurança é utilizada para legitimar o controle e a quebra da privacidade. Nesse sentido, cabe recorrer ao filósofo Focault, já que muitas empresas e governos se utilizam de falsas promessas de proteção, e acabam violando as liberdades individuais.