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Eco-swaraj: uma maneira diferente de se pensar a sociedade



“Em nossas comunidades, nós precisamos deter o poder, não para dominar, mas sim para fazer o bem”

- Ashish Kothari em sua palestra ao Earth Action Hub.



O conceito de “Swaraj” foi popularizado por Mahatma Gandhi durante o período das guerras de independência da Índia contra os ingleses, e tem como seu principal ponto resgatar o verdadeiro significado de democracia, ou seja, poder para o povo. Esta foi a temática abordada pelo ativista indiano Ashish Kothari em sua palestra “Eco-swaraj: a radical ecological democracy” realizada nesta manhã de domingo (23/05/21) no evento Earth Action Hub.

Inserindo o tópico em um contexto atual, Kothari iniciou sua fala discutindo os impactos da pandemia da COVID-19 dentro do cenário socioambiental. Segundo o ativista, a conjuntura atual abriu espaço para o autoritarismo dos governos perpetuar-se, além de permitir que grandes corporações lucrassem ainda mais em meio ao cenário de caos que tem sido vivenciado, amplificando as desigualdades sociais e as agressões ao meio ambiente.

Ashish propõe, como alternativa para um sistema que, de acordo com ele, tem causado destruição – dos ecossistemas, da pluralidade sociocultural, da justiça social e do verdadeiro significado da democracia – um modelo de autonomia das comunidades baseado em cinco principais pilares, os quais ele chama de “flor da transformação”.

Resumidamente, esses pilares tratam-se da resiliência e da sabedoria no uso dos recursos ecológicos, do conhecimento e da celebração da diversidade cultural, da justiça e do bem-estar social, da democracia econômica, ou seja, a soberania do trabalhador sobre a produção e, por fim, do poder direto ao povo e da autonomia na tomada de decisões que impactam suas comunidades – em conjunto ao respeito mútuo da autonomia dos demais povos.

Para exemplificar a implementação deste modelo no mundo, Kothari menciona a comunidade de fazendeiros na região do Decã, na Índia, que, há mais de 70 anos, trabalham com soberania sobre a sua produção, num sistema de terras coletivizadas. Acrescenta ainda como exemplo, o movimento Rojava, liderado por mulheres no Curdistão, que, em meio a uma zona extremamente conflituosa, buscam trazer autonomia e poder ao seu povo, sendo uma grande esperança no alcance da paz na região.