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Dualidade, mentalidade de caixa e outros devaneios...


A mente humana é mercada pela dualidade, desde sua gênese vemos concepções superficiais de bem e mal, certo e errado, luz, trevas e assim por diante. Filosoficamente falando, a dualidade é conhecida por Dualismo, corrente que afirma a existência de dois princípios absolutos, independentes e antagônicos. Durante toda a história, filósofos de diferentes eixos e épocas aventuraram-se neste conceito, dando projeção a Platão e René Descartes. Platão, enxergava a dualidade em uma escala macro, configurando-se em um mundo tangível que incansavelmente busca a perfeição encontrada no mundo das ideias. Já para René Descartes, importante filósofo racionalista, a dualidade pode ser facilmente encontrada no homem, em corpo como algo propriamente tangível e alma, que seria nossa essência metafísica .


Tanto Platão, quanto Descartes, observaram o seu redor em uma perspectiva dual até onde competem algumas de suas teorias, porém, eles não foram os únicos. Este modelo se repetiu incessantemente durante nossa história conhecida, desde que o mundo é mundo. Aparentemente sempre houve o embate de opostos, e além do teor dúplice, todos estes confrontos tem a incrível coincidência de ignorar a notável existência de diversas alternativas que não as em destaque; vamos exemplificar para que o entendimento seja mais fácil: Imagine um trio de amigos que sempre conviveu em harmonia, até que deste trio, dois amigos discordaram um do outro veementemente sobre a direção que o ônibus vermelhão percorre em seus dois sentidos na Avenida João Gualberto, porém, o terceiro amigo, que ainda não se pronunciou, sabe que os dois conflitantes estão errados, e na verdade os sentidos são outros que não os que constam em ambas opiniões em destaque. Porém, ao dizer isso, o terceiro amigo é rapidamente rechaçado pelos dois outros e é coagido a escolher uma das duas opiniões retardadas.


A partir daí dá-se o confronto dual eterno da história humana, que poderia ter sido evitado milhares de vezes, porém, quem tenta pensar um pouco fora da caixa é rapidamente neutralizado pelos ferozes defensores do certo e errado, que jamais admitem algo verdadeiramente sensato, uma vez que o conflito não é mais sobre a melhor alternativa, na verdade é sobre a menos pior. Nos dias de hoje nos encontramos exatamente nessa situação, onde pessoas rechaçam pessoas por pensarem algo completamente diferente e quebrarem a expectativa inata da dualidade, por que isso acontece? Ora, é simples, basicamente o ser humano tem pavor daquilo que desconhece, e levando em consideração que maioria sabe muito pouco de quase nada, tudo que fuja minimamente da caixinha é apavorante e deve ser excluído o mais rápido possível.