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Covid-19 e a história



Dado o momento atual que estamos vivenciando, a pandemia de Covid-19 ficamos à mercê para pensar que a pandemia nos estimulou a ter uma reflexão voltada a filosofia da história, pois vemos que elementos não humanos, como um vírus, e elementos humanos, como protestos e política, podem interferir decisivamente no que chamamos de história. Nós estudamos a história como aquilo cujas causas são fundamentalmente humanas, estudamos, por exemplo, a história das guerras, revoluções e transformações sociais. Quando falamos em história, estamos falando da história que são resultados de causas e ações humanas, nos acostumamos a dar menos importância para os elementos naturais e não humanos que podem interferir e motivar a história. A título de ilustração, além da Covid-19 poderíamos citar a Gripe Espanhola que nós conseguimos trazer à memória justamente por conta desse momento em que estamos vivendo. A questão é que nossa memória histórica está muito mais atrelada aos eventos cujo as causas são mais humanas do que naturais, portanto, não nos acostumamos a lembrar recorrentemente da Gripe Espanhola, lembramos mais da Guerra Fria ou da 1 Guerra Mundial, por exemplo.


Ademais, deveríamos tentar alargar a nossa compreensão dos fenômenos históricos incluindo uma maior importância daquilo que nos atravessa sem que tenha sido necessariamente causado apenas por fatores humanos. A pandemia do Covid-19 talvez tenha sido mais uma oportunidade para repensarmos o próprio conceito de história. Devemos ter em mente que a pandemia é uma conjunção de um elemento natural, que é o vírus, com elementos políticos, culturais e sociais, o modo pelo qual vivemos e estamos lidando com a nossas vidas em particular, por exemplo o modo como comemos, seja ao ar livre ou dentro de algum lugar, pode afetar o que é uma pandemia, pois isso seria um fator cultural. E, complementando, para o filósofo Emanuele Coccia “O ser humano não é o ser que mais altera a natureza. Qualquer bactéria, qualquer vírus, qualquer inseto podem produzir um grande impacto no mundo.” (p.4)