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Brasil — O que precisamos para figurar o topo do quadro olímpico?

Atualizado: 24 de set. de 2021

O que é preciso para ser um atleta olímpico? Talento, equipamento, estrutura, treinos, são diversos fatores que constroem um atleta de alto nível, alguns países conseguem dar isso as delegações, porém a maioria não, e entre eles está o Brasil.

Apesar das adversidades nossos atletas conseguem fazer frente às maiores potencias do esporte mundial, seja na natação, atletismo, ginástica, futebol ou skate, nós temos potências em todos os esportes, mas não se faz um campeão com somente talento e esforço, é preciso ter investimento. Infelizmente a realidade da maioria dos competidores brasileiros que estão em Tóquio não é fácil, muitos são esquecidos pelo COB, o Comitê Olímpico Brasileiro, além do comitê, a falta de investimentos e incentivos ao esporte e estruturas de prática influenciam as nossas potências a não se tornarem campeãs.

E em 2020/21 o agravante foi ainda maior, com a pandemia acontecendo, diversos ciclos olímpicos foram interrompidos, centros de treinamento foram fechados, viagens canceladas e campeonatos adiados. E sem nenhuma competição e treino nossos atletas ficaram ainda mais defasados em relação aos melhores, esse é o caso, por exemplo, do nadador Fernando Scheffer, o nosso bronze nos 200m nado livre teve treinos em um açude no meio da pandemia por conta das piscinas olímpicas estarem fechadas.

Esse é só um dos casos, posso listar o boxeador Esquiva Falcão, que com um card de 29 vitórias em 29 lutas precisa vender pizzas com a esposa para ter dinheiro, ou o medalhista de ouro Arthur Zanetti, que teve 90% dos seus investimentos cortados depois de Rio 2016, o atleta de tiro olímpico Felipe Wu que disputou as classificatórias lesionado e com poucos treinos por conta da pandemia, e são somente alguns exemplos de atletas que tiram do próprio bolso para competir no maior evento esportivo do planeta.

Mas voltando ao título, o que precisamos para figurar o topo? Investimentos? Incentivo? Um pouco de cada. Assim como não somos tão incentivados a fazer esportes nós também não temos estrutura para praticar muitos deles, nos restando a virar mais um jogador de futebol, vôlei ou basquete. O investimento em estruturas públicas de treino e competições frequentes também são cruciais para o desenvolvimento de um esporte, afinal, quem que vai explorar um esporte que possui uma competição por ano? Outro ponto importante é valorizar nossos atletas, os nossos competidores olímpicos são basicamente amadores, tendo que tirar do próprio bolso para competir por falta de investimento, e isso precisa mudar.

Infelizmente falo de um país que há 5 anos sediava uma edição dos jogos olímpicos, onde ficou o legado disso tudo? O esporte acima da competitividade é uma ferramenta que muda vidas, se uníssemos treinos e investimento com o talento que nós temos ao natural poderíamos figurar o topo do quadro olímpico, basta ver o que fazemos com quase nenhum recurso.