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ANALISE | Me Chame Pelo Seu Nome

Recém chegado ao catálogo da Netflix, com 4 indicações ao Oscar e uma vitória em roteiro adaptado, Me Chame Pelo Seu Nome se configura como um grande monumento cinematográfico de sua época.

*contém spoilers!



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Summer 1983. Somewhere in Northern Italy.

Elio passa seus verões na monótona cidade de Crema lendo, nadando no rio, até que se vê perdido em um sentimento novo - até então completamente desconhecido - quando Oliver, um estudante de filosofia, se hospeda em sua casa com o objetivo de terminar seu primeiro livro. Uma direção minimalista, um roteiro poético, e um elenco extraordinário criam um filme que até hoje causa polêmica entre os espectadores.

 

As palavras...

São um mundo secreto e ambíguo na relação de Elio e Oliver. Muitas vezes com diálogos poéticos os personagens conseguem se comunicar de uma maneira própria, onde o não dito, seja os maneirismos corporais, os toques, os olhares se tornam mais importantes que as frases em si, sendo o maior exemplo disso a cena em volta do monumento da primeira guerra. Inclusive uma das músicas originais do filme se chama “Futile Devices”, de Sufjan Stevens, e divaga sobre a futilidade das palavras.

A versão original do roteiro de James Ivory continha inclusive uma narração que nos guiava nos pensamentos de Elio, se assemelhando a primeira pessoa contida no livro original, mas na versão final do filme o diretor Luca Guadagnino confia apenas nas atuações, que por sua vez entregam todas as inquietações internas dos personagens.

 

Call me by your name...

And I will call you by mine. O título é uma poesia a parte que nos ajuda a compreender toda a história. Uma das grandes teses do filme seria a de que se apaixonar nada mais é que um espelho para nós mesmos, e Luca Guadagnino escolhe nos mostrar, seja por meio de pequenos detalhes, como os maneirismos que Elio passa a adotar durante a convivência com Oliver, ou o colar da Estrela de Davi que também passa a ser usado ao longo da narrativa. Mas além disso, grandes traços de personalidade que um admira ou até mesmo inveja no outro, como, por exemplo, a liberdade e a jovialidade que Elio tem frente a um homem já reprimido como Oliver.

 

O pêssego...