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Análise contextual de 1984

Helena Nascimento


O livro distópico “1984”, apesar de ambientado 25 anos após sua publicação, revela mais sobre o passado do que sobre o futuro. Escrito durante a era do totalitarismo, George Orwell conta a história de Winston Smith em um mundo dominado por governos autoritários, nos quais a posse do poder era a única prioridade do estado. Através da compreensão do contexto por trás do texto, o leitor conhece os medos e crenças de Orwell, sobre o mundo futuro e a natureza dos governos autoritários. Por meio de conexões feitas entre "1984" e a vida de Orwell, a Guerra Civil Espanhola, a Segunda Guerra Mundial e grandes figuras da época, revelações históricas dentro delas ocorrem e as verdadeiras intenções do autor se tornam mais distinguíveis.



“1984” provavelmente não existiria se não fosse pela educação e experiências de vida de George Orwell. Eric Arthur Blair nasceu em 25 de junho de 1903, em Motihari, Índia. Posteriormente, mudou seu nome devido a uma modificação em suas crenças políticas e seu estilo de vida. Seu pai era funcionário público colonial britânico, enquanto sua mãe, filha de um comerciante de teca birmanês. O autor referia-se ao estilo de vida de seus pais como "esnobismo empobrecido", onde sua insatisfação com seu status social não tinha correlação verdadeira com sua situação real. Em seu livro, Orwell critica as verdadeiras intenções revolucionárias da classe média, explorando isso ao afirmar que as classes mais baixas são incapazes de conduzir uma revolução devido a prioridades maiores. A classe média, entretanto, ávida por um status mais elevado, os usa como uma fonte por trás de seu “raciocínio revolucionário”.


Além disso, sua experiência como superintendente distrital assistente na Polícia Imperial Indiana, teve vasto efeito em sua inspiração para o romance. Com o tempo, Orwell percebeu a situação sórdida em que os birmaneses viviam e sua antipatia pelos britânicos, envergonhando-se de sua posição. Logo, em 1927, ele visitou a Inglaterra, mas optou por não retornar à Birmânia, demitindo-se da polícia no primeiro dia de 1928. Esta decisão foi tomada após sua percepção da realidade discriminatória e o status social naquele local.


Portanto, decidiu livrar-se da culpa vivendo na frugalidade entre os europeus pobres, nos “slums” ou entre os pedintes. Orwell se tornou um grande opositor do imperialismo, rejeitou o estilo de vida da classe média, começou a se chamar de anarquista e mais tarde de socialista. Embora isso possa parecer contraditório com sua crítica ao Estado socialista em “1984”, o livro foi mais focado no autoritarismo do que na própria filosofia política. Ademais, sua esposa, Eileen O’Shaughnessy, trabalhou no departamento de censura da Câmara do Senado de Londres, que mais tarde se tornaria sua principal inspiração para a descrição física do Ministério da Verdade em seu romance. A Câmara do Senado logo foi substituída pelo Ministério da Informação, que atuou como centro de distribuição de informação e propaganda sobre a guerra, seja ela fabricada ou censurada. Orwell explora o controle sistemático sobre a informação em muitas partes do texto, e a existência desse departamento foi bastante introdutória à ideia de uma forma institucionalizada de controle. O início da vida de Orwell teve grande influência em suas crenças políticas e inspirações de “1984”, expondo-o a modos de vida que ele mais tarde rejeitaria e sistemas que mais tarde criticaria.