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Afinal, a China é socialista?

Na conjuntura político-social atual, é extremamente comum o uso equivocado dos termos “comunismo” ou “socialismo” para descrever medidas tomadas por um determinado governo. Por isso, antes de respondermos a pergunta proposta no título desta redação, precisamos compreender o que são e a que se referem, em verdade, os sistemas supracitados.


De acordo com os escritos dos filósofos alemães Karl Marx e Friedrich Engels, a sociedade comunista seria aquela em que não há mais antagonismo de classes – isto é, não há imposição dos ideais de uma classe dominante em detrimento dos interesses comuns. Além disso, há a posse coletiva dos meios de produção, em que a organização política Estatal e as estruturas do capitalismo já foram completamente superadas.


Em suma, é uma associação não mais dividida em classes, onde “o livre desenvolvimento de cada um é condição do livre desenvolvimento de todos” (MARX, K; ENGELS, F; Manifesto do Partido Comunista, 1848, p. 44).


Já o socialismo – que é frequentemente confundido com o comunismo – é, segundo os mesmos teóricos, um regime de transição, no qual o domínio do poder Estatal passa a pertencer ao operariado, e o mesmo ascende como classe dominante. Deste modo, se vale de sua supremacia para implantar diversas reformas nos âmbitos social, político, cultural, econômico e institucional.


Dentre estas reformas, destaca-se a expropriação da propriedade privada e a centralização Estatal dos meios de produção (regida pela classe operária), resultando, pouco a pouco, na perda do capital burguês. Vale destacar, entretanto, que as medidas tomadas para alcançar o comunismo são diferentes em cada país.



Em vista estes conceitos (principalmente o fato de que existem diferentes caminhos para o comunismo) a resposta da pergunta proposta é, sim, a China é uma nação socialista.

Ao analisarmos o histórico do país, temos que este já passou por revoluções – com destaque para a revolução Chinesa de 1949, liderada por Mao Tsé-Tung. Estes movimentos revolucionários, como a estatização dos meios de produção e a reforma agrária, além do posterior investimento em educação e infraestrutura, contribuíram de modo significativo para o desenvolvimento chinês, e reduziram amplamente as desigualdades dentro do país.