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A trajetória brasileira nas Nações Unidas

A atuação brasileira na ONU teve início junto a formação da organização no ano de 1945 quando, após diversas conferências de paz que ocorreram inclusive durante a Segunda Guerra Mundial, foi assinada na cidade de São Francisco (EUA) a Carta das Nações Unidas por 50 países, entre eles o Brasil. A proximidade com as nações aliadas durante a Segunda Guerra Mundial e especialmente com o governo estadunidense, além dos próprios méritos da diplomacia brasileira, favoreceram a participação inicial do país. Entretanto, o protagonismo brasileiro nas Nações Unidas tornou-se efetivo a partir do desempenho do diplomata Oswaldo Aranha nas primeiras assembleias gerais realizadas pelos países membros.


Casa da ONU no Brasil

https://brasil.un.org/pt-br/about/about-the-un


Oswaldo Aranha foi Ministro das Relações Exteriores do governo de Getúlio Vargas e atuou na embaixada brasileira de Washington D.C, mas no assunto “Nações Unidas” ele caiu de paraquedas. O diplomata estava em viagem nos Estados Unidos quando foi convidado para assumir como representante brasileiro a presidência da segunda Assembleia Geral das Nações Unidas - definido por rodízio - devido à morte do embaixador que havia sido designado para a função.


No cargo, Aranha presidiu uma Assembleia Geral Regular e uma Especial, sendo que ambas se concentraram na pauta da criação do Estado de Israel, à qual se declarou a favor e destacou-se por suas articulações e estratégias de negociação para conquistar votos durante o debate, inclusive suspendeu a votação como forma de ganhar tempo para o grupo sionista. Por fim, foi definido que a região em questão no Oriente Médio seria dividida em dois Estados, sendo um judaico (Israel) e outro islâmico (Palestina), contudo, as decisões não foram completamente efetivadas, já que apenas a soberania israelense foi garantida.


Pelo excelente desempenho e conquistas nas Nações Unidas, Oswaldo Aranha é homenageado em Israel e no Brasil, além disso, inaugurou uma tradição em que todas as edições da Assembleia Geral da ONU são iniciadas com o discurso do chefe de Estado brasileiro. Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei que incluiu Oswaldo Aranha no Livro dos Heróis da Pátria, junto a nomes como Machado de Assis, Santos Dumont, Anita Garibaldi e Zumbi dos Palmares. Apesar disso tudo, existem controvérsias quanto a visão do diplomata sobre os Judeus, já que, principalmente após a publicação de “Antissemitismo na Era Vargas” de Maria Luiza Tucci Carneiro (Historiadora da USP), foram expostos casos de vistos negados pelo Ministério das Relações Exteriores ,sob chefia de Aranha, para Judeus durante a Segunda Guerra Mundial.