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A realidade dos campos de concentração para imigrantes no Brasil

Atualizado: 8 de out. de 2021


Foto: BBC News Brasil-Reproducao


A abolição da escravidão, demanda de mão de obra assalariada e o “ideal de branqueamento” da população brasileira no século XIX, promoveram o início de um dos maiores fluxos migratórios ao Brasil, que se estendeu até a década de 1940. Entretanto, na Segunda Guerra Mundial, com a associação brasileira aos Aliados (Inglaterra, EUA, URSS e França), iniciou-se uma rede de perseguição interna aos imigrantes oriundos dos países constituintes do Eixo (Japão, Alemanha e Itália).


O que muitos ainda desconhecem, do qual não é contado na maioria dos livros de história, é o fato de, nesse mesmo período, o governo brasileiro da época ter organizado 11 campos de concentração por todo o Brasil, para onde foram transferidos muitos imigrantes japoneses, italianos, alemães e seus descendentes, com o intuito de conter supostas ações de espionagem e conflitos internos. O campo de Tomé - Açu destaca-se entre os 11 pelo alto número de famílias alocadas, em sua maioria japonesas, e por sua localização estratégica para o isolamento dos imigrantes.

O campo de concentração de Tomé-Açu


Inicialmente, Tomé-Açu era uma colônia de imigrantes japoneses que chegaram a partir de 1929, localizada no interior do estado do Pará e rodeada pela floresta amazônica, com base econômica no cultivo de arroz e hortaliças. Doze anos mais tarde, já na Segunda Guerra Mundial, pela alta concentração de japoneses que havia no local e acesso exclusivamente fluvial à colônia, o local foi escolhido para tornar-se um dos 11 campos de concentração de imigrantes dos países ligados ao Eixo.


Em 1942, a região foi isolada. Além dos japoneses que já viviam no local, imigrantes residentes, principalmente de Belém (capital paraense) e do estado do Amazonas, foram transferidos contra a sua vontade para o Campo de concentração de Tomé-Açu. Os recém-chegados não possuíam estrutura habitacional garantida e muitos precisavam contar com a solidariedade dos moradores locais ou viver em barracas precárias e improvisadas.