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A luta dos países com reconhecimento limitado



De certa forma, não é difícil definir um país. Um território habitado com fronteiras, instituições políticas funcionais e um governo. Entretanto, a situação começa a ficar complexa no momento em que esse “país” não é reconhecido por nenhum outro Estado, surgiu de forma conturbada ou não mantém relações diplomáticas com outra nação, a não ser com aquelas que estão em um cenário semelhante ao seu, se tornando párias da comunidade internacional.


Talvez o exemplo mais famoso seja o Estado que governa a ilha de Taiwan, fundado pela liderança do Kuomintang, partido nacionalista chinês, expulsos da atual Republica Popular da China após a brutal guerra civil que deixou mais de oito milhões de mortos.


A situação de Taiwan (como é popularmente chamada) é de constante alerta e medo de uma invasão da China socialista, localizada a apenas algumas milhas náuticas de sua costa. Apesar do reconhecimento limitado, Taiwan conta com apoio da frota do pacífico dos Estados Unidos, e frequentemente recebe apoio e tecnologia americana. Mas, não são todos esses Estados que tem uma frota naval americana para sua defesa.

Muitos desses países se encontram em guerra civil ou conflitos de baixa intensidade, como foi evidenciado recentemente pela repercussão dos conflitos na auto-proclamada República do Artsakh. Independente de facto desde 1994, o Artsakh não conta com o reconhecimento de nenhum país membro da ONU, incluindo a Armênia, seu principal aliado militar e ideológico. Os últimos conflitos resultaram em crimes de guerra e uso de drones para atacar alvos civis, principalmente em Stepanakert, capital da região.


Mesmo sendo pouco conhecidos, esses países recebem alguns atos de solidariedade e reconhecimento, como a interessante copa do mundo da CONIFA, associação de futebol que aceita estados, minorias e outras entidades não filiadas a FIFA. A última edição foi realizada em Londres e teve como campeão a Transcarpátia, tendo derrotado o Chipre do Norte nos pênaltis. Como consequência, a Ucrânia baniu os jogadores da Transcarpátia com cidadania ucraniana de participar de competições oficiais de futebol por toda a vida, enquanto os húngaros da seleção foram deportados do país. A edição de 2020 foi cancelada devido à pandemia de COVID-19.


A situação dessas nações é sempre jogada na sombra de outros grandes eventos internacionais, recebendo mais destaque apenas em caso de conflito expressivo envolvendo outras potências, como foi visto na agressão do Azerbaijão contra a Artsakh e a Armênia, Rússia e Turquia participaram das negociações com os turcos, chegando a fornecer armas para o Azerbaijão, e o