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A grande guerra africana: entenda as raízes do conflito

A República Democrática do Congo (RDC), um país localizado na África Subsaariana, é palco do que muitos especialistas afirmam ser o conflito mais mortal desde a Segunda Guerra Mundial. Apesar da magnitude deste combate,e o longo período pelo qual tem se estendido – desde 1996 – são poucas as vezes em que o mesmo é abordado pela mídia ocidental. Esta complexa problemática possui múltiplas origens, as quais trataremos ao longo deste artigo.


Inicialmente, é necessário esclarecermos os impactos do imperialismo e do neocolonialismo europeus em todo o continente africano; afinal, quando fronteiras são delimitadas, desconsiderando a pluralidade étnica e sociocultural existente numa determinada região, a presença de conflitos torna-se iminente. Analogamente, a guerra na região da RDC se deve, em grande parte, à ação das potências europeias na região.

Durante o século XIX, o imperialismo belga atingiu o Congo e estabeleceu seu domínio na área, tendo sido, logo em seguida,reconhecido formalmente pelos países participantes da Conferência de Berlim (1885). Após quase 80 anos sob o domínio da Bélgica, a nação democrata-congolesa finalmente conquistou sua independência, no ano de 1960, inspirada por um forte sentimento nacionalista que crescia na população. Este processo foi, entretanto, um tanto quanto turbulento. Não podemos nos esquecer que, com o avanço imperialista, inúmeras etnias distintas viviam em um único território, gerando,entre outras, divergências ideológicas. Neste período, foi instaurada a ditadura de Mobutu Seko, que renomeou o país como “Zaire”.

Durante o período de seu governo, um acontecimento histórico ocorreu em um país vizinho– o genocídio de Ruanda.Em 1994, os hutus, uma maioria étnica da região,perpetuaram um massacre contra a minoria tutsi, que também vivia no país. Este trágico episódio, que deixou mais de 800.000 mortos, detém um grande papel no conflito democrata-congolês. Isso porque gerou uma diáspora dos tutsis para o nordeste do Zaire (atual RDC) e uma posterior migração de milícias hutus para a fronteira entre os dois países, intensificando, a posteriori, as batalhas já existentes na região. Assim, percebemos que as condições que ocasionaram a guerra compreendem uma gama muito maior do que fatores puramente étnicos, ideológicos, culturais ou regionais, mas sim uma soma destes à outros. No entanto, foi no ano de 1998 que estourou,de fato, o conflito do qual estamos tratando ao longo deste texto. Isso porque neste ano, Mobutu, o então ditador do Zaire, foi deposto e substituído por Laurent Kabila – seu principal opositor e líder de uma milícia de maioria tutsi que visava a libertação do Zaire do antigo ditador.O país tornou-se, sob a liderança de Kabila, a “República Democrática do Congo”. Ao contrário do que o povo imaginava,o conflito não foi amenizado, mas sim, intensificado com esta mudança de poder.