Buscar

A desvalorização do cinema nacional

São inúmeras as vezes que eu ouvi a frase “filmes brasileiros são muito ruins”, ou “única coisa boa que o Brasil faz bem no cinema são comédias besteirol.” Essas afirmações são completamente absurdas e incorretas. A indústria cinematográfica brasileira é uma das maiores e mais ricas do mundo. Contudo, nem a população, nem o governo do nosso país reconhecem o valor das produções nacionais e, com isso, afunda o valor comercial do nosso cinema.

Já que o brasileiro se recusa a acreditar que o cinema nacional tem qualidade quando ouve isso de outros brasileiros, destaco exemplos internacionais de reconhecimento da nossa sétima arte. O filme Cidade de Deus (2002), de Henrique Meirelles, foi indicado a quatro Oscars, sendo eles Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Montagem (não era elegível para Melhor Filme Internacional, categoria que provavelmente venceria). Apesar de não ter levado nenhum prêmio para casa, o número de indicações foi bastante elevado, especialmente para uma produção estrangeira. Não só isso, mas a agência de comunicação britânica, BBC, escolheu o filme como um dos 40 melhores do século 21 até o momento (na frente de sucessos como A Origem, O Lobo de Wall Street, Bastardos Inglórios, entre outros). Além da BBC, o jornal inglês The Guardian e a revista americana TIME, também reconheceram Cidade de Deus como um dos melhores filmes de todos os tempos.


“Ok, Gabriel, mas Cidade de Deus é um ponto fora da curva.” Será? Vamos olhar para os últimos dois anos. Bacurau (cuja análise brilhante de Árthur Pogere pode ser conferida aqui no jornal), de 2019, ganhou premiações da crítica em todo o mundo e levou o cobiçado prêmio do júri no Festival de Cannes, um dos maiores festivais internacionais de cinema. No mesmo ano, Democracia em Vertigem foi indicado ao Oscar de Melhor Documentário e A Vida Invisível também ganhou prêmios internacionais, inclusive contra o premiado Parasita, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2020.


Falando em Parasita, seu diretor, o agora consagrado Bong Joon-Ho, revelou que uma de suas maiores inspirações foi Glauber Rocha, cineasta brasileiro conhecido por diversas obras como Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Terra em Transe (1967) e A Idade da Terra (1980). Além dele, outros produtores conhecidos, como Quentin Tarantino e Francis Ford Coppola, já comentaram sua admiração pelo cinema brasileiro. Além disso, é importante ressaltar que a qualidade desses filmes não apaga o quão boas são as nossas comédias, como Minha Mãe é Uma Peça ou Até que a Sorte nos Separe.


Eu p