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A Dandara dos Palmares


Dandara dos Palmares foi uma mulher negra, escrava que vivenciou uma sociedade com costumes e tradições machistas, escravistas e racistas. Ela nasceu no Brasil, morou em Quilombo dos Palmares (localizado no estado de Alagoas) e fez sua história por onde passou. Ela praticava capoeira muito bem, sabia lidar com armas e chegou a liderar exércitos femininos. Dandara foi, e é, uma grande referência para a luta do povo negro e para as mulheres negras. Junto a um representante importante chamado Zumbi dos Palmares, ela lutou, no século XVII, contra o sistema escravocrata, que naquela época era demasiadamente recorrente. Eles lutaram também contra a dominação dos portugueses sobre o povo negro. Posto isso, em questão de resistência e luta por direitos, ela se destacou e tornou-se uma ídola para o seu povo. Sua história chegou ao fim em 6 de fevereiro de 1694, quando Dandara cometeu suicídio por temer ter que voltar a ser escrava novamente. Sendo assim, ela preferiu a morte do que a se submeter aqueles tipos de tratamentos e subordinações.


De certo modo, questões raciais não é um tema muito recorrente nos âmbitos escolares – pelo menos não tanto quanto deveria ser abordado dado a tamanha relevância e gravidade -; nós não aprendemos a fundo sobre a história de pessoas negras que fizeram história, portanto, cabe a nós pesquisarmos e nos fazer a par do assunto. Na minha opinião, as histórias das pessoas como Dandara dos Palmares deveriam ser abordadas sempre. Dado que, vivemos em uma sociedade onde o racismo estrutural, o sexismo, o machismo, entre outros, são predominantes, consequentemente, poderíamos culpar facilmente essas pautas por histórias relevantes não fazerem parte do ensinamento essencial nas escolas. A memória da vivência da Dandara torna-se facilmente esquecida ou, muitas vezes, nem é contada.


Visto que, nós vivemos em uma sociedade claramente racista e que nela vem sendo conservado esse movimento desde a escravidão, sabemos que a anulação da cultura e do povo negro em prol do povo branco sempre esteve presente no Brasil. E, por conta dessa prática discriminatória que privilegia outras raças, podemos afirmar que no nosso país carrega o fardo de ter características de um racismo estrutural e institucional. “Celebramos” em novembro o Mês da Consciência Negra, isso é, um mês em que o movimento negro é ressaltado, seria o momento para darmos mais voz as pessoas negras, é o tempo para refletirmos nossas ações e nossa capacidade de empatia e senso. Contudo, particularmente dissertando, vejo que o correto seria lembrar-nos dia após dia de que movimentos como #BlackLivesMatter tem que ser recordado todos os dias; tendo em vista que, vidas negras são tiradas, julgadas, maltratadas por motivos que não são o suficiente para tais atos. É mister por uma pauta como essa, que é recorrente e acontece no cotidiano, como fato indispensável a qualquer momento, para que nomes e passados como os da Dandara não sejam esquecidos.


Todavia, eu escolhi falar sobre a Dandara dos Palmares, pelo fato de que a sua representatividade deve ser mais abordada, além do que ela é um exemplo de lutadora e de vencedora devido à sua força. Desse modo, vale ressaltar que, ela é uma grande figura para representar a resistência contra a desigualdade de gênero e a opressão contra as mulheres. Ao analisarmos sua história novamente podemos perceber que, mesmo que a história do feminismo tenha sido oficializada durante a segunda metade da década de 1960, ela deve ser caracterizada como uma personagem feminista na qual lutou para ter seus direitos, usou sua voz, foi uma líder e tentou mudar uma sociedade com princípios desiguais.