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A Bruxa e o Novo Terror

Em 2015, o estreante Robert Eggers lançou “A Bruxa”, o terror que fica marcado na história por revolucionar o cinema. O terror surge cedo na história da sétima arte, os espectadores tomados por curiosidade correram para as salas de cinema, onde encontravam os mais variados tipos de monstros. Até a década de 40, figuras como Drácula e Frankenstein eram os protagonistas do horror.

No entanto, com a popularização dos filmes de suspense no estilo Hitchcock, o terror

também vê a necessidade de mudança. Agora o horror passou a ser alcançado pelo medo do desconhecido. Nessa época se destaca “O Bebê de Rosemary”, em que o noir se junta a um mistério satanista criando uma das obras mais clássicas de todos os tempos.


Já no fim da década de 70, o gênero vai descobrir o seu mais novo aliado, o sangue. Com o surgimento do italiano “Suspiria”, o gore ganha vida e se mistura com o suspense clássico nas mãos de Dario Argento. Seguindo esse êxtase, o horror chega a sua apoteose quando Stanley Kubrick exibe “O Iluminado”, trazendo uma perspectiva realista e com um toque de terror psicológico.


Com a virada do século, chegam às salas de cinema filmes como o found-footage “A Bruxa de Blair” e agora mais uma novidade, os jumpscares. Os cabelos pretos de Samara saindo da TV em “O Chamado”, os espíritos assustadores nas mais variadas versões de “Atividade Paranormal” e os famosos Jason e o Boneco Assassino aterrorizam os espectadores por meio de sustos barulhentos.


Com o desgaste dessas produções baratas e dos sustos previsíveis, emerge o que muitos consideram o “Terror de Arte”. O lançamento de “A Bruxa”, agora disponível na Netflix, chocou os espectadores. Muitos saíram das salas antes do filme acabar, decepcionados por não encontrar aquele terror tradicional, mas sim uma obra que tem mais cara de drama e cria uma atmosfera intimista ao discutir temáticas existenciais.


Ambos os filmes de Ari Aster, “O Hereditário” e "Midsommar", são obras extremamente complexas e esteticamente belíssimas, que fogem completamente dos sustos e muitas vezes aterrorizam pela sua verossimilhança. O cinema agora abre espaço para produções como “Raw”