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Ética e maniqueísmo


Foto Ilustrativa: erbui 1979 by Getty Images


Desde o começo de nossa história, a ética, o bem e o mal foram estudados por milhares de pensadores para se poder entender o que seria o certo a fazer e o porquê de isso ser assim. Filósofos, como Aristóteles e Santo Agostinho, desmistificaram a ética e a criação do bem e do mal, respectivamente, para entender a origem de muitos objetos e conceitos que conhecemos. Assim, enquanto o primeiro estudava um meio de chegar à felicidade, buscando o bem supremo – ou o meio termo –, o segundo estudava a origem do bem e do mal e suas causas (em suas determinadas obras, claro).


Seguindo os pensamentos do pensador grego, ética é um eterno construir para alcançar um bem supremo. E para chegar neste fim, é necessário agir o suficiente, não muito nem pouco, para se tornar perfeito. Agora, para o outro pensador, a ética remete diretamente ao criador, ao começo e fim de tudo. Para o filósofo mais antigo, o fim é a felicidade, enquanto que o medieval compreende Deus como o único e último fim.


Já a ideia maniqueísta é definida por uma concepção de mundo em que existe uma dualidade entre opostos inconciliáveis, ou seja, se põe como um tipo de dialética mais simplista e perversa em comparação com outras. Nessa teoria, para fugir da complexidade, os fenômenos humanos são reduzidos apenas a uma relação de ser ou não ser; ser bom ou ser mal. No decorrer da história, esta filosofia perdeu força e outro sentido foi dado, passando a fazer parte do uso comum da linguagem. Com isso, nos dias atuais, o maniqueísmo não é mais visto como algo totalmente ruim, e sim quase como uma figura de linguagem para auxiliar em discussões e até na criação de histórias; “demonizando” um lado e “santificando”, na maioria das vezes, a si mesmo – ou o protagonista de uma obra.


A visão filosófica de Agostinho depende da existência de Deus, do bom. Entretanto, o filósofo também cita o pecado, que, desse modo, seria o mal, o qual será abordado mais adiante. Segundo esse pressuposto, seus estudos tratam que o ser humano pode tender tanto para o bem quanto para o mal, são animais dialéticos; ou será que são animais maniqueístas?


O pensador, com a necessidade de unir a religiosidade e a racionalidade, seguiu o ideal do maniqueísmo em sua juventude como base filosófica; porém, logo foi descartada e trocada para o pensamento de que o mal é apenas a ausência do bem. Ou seja, a maldade não é uma substância, mas sim a ausência das coisas boas. O que, de bom tom, deixa de ser uma ideia de um embate de contrários, e passa a ser apenas um par de opostos. No final, Agostinho passa a assumir o mesmo dualismo de Platão – corpo e alma – como sua base filosófica, o que o permitiu focar apenas em seus ideais.