Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, a situação política na América Latina teve uma reviravolta significativa. Em uma operação rápida, forças dos Estados Unidos capturaram o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em um bunker fortificado e o levaram para um avião rumo a Nova York. Ele enfrentará acusações de narcoterrorismo. Essa ação gerou reações diversas no cenário internacional. Enquanto alguns classificaram a operação como um golpe de Estado, outros criticaram a suposta violação da soberania venezuelana.
Nos meses que antecederam o incidente, muitos analistas já previam essa possibilidade. A literatura sobre política internacional indicava um reposicionamento estratégico dos Estados Unidos. O governo Trump, longe de ser visto como descompassado, era interpretado como um estrategista com objetivos claros em relação à sua política externa. Assim, a capturação de Maduro não foi um ato isolado, mas o resultado de um planejamento prolongado.
Para entender a dimensão desse acontecimento, é crucial analisar a trajetória política da Venezuela. Hugo Chávez, que assumiu o poder em 1998, transformou o sistema democrático do país em um regime autoritário. Com Maduro no comando, a situação se agravou, culminando nas eleições de 2024, que foram amplamente consideradas fraudulentas, com a opositora María Corina Machado barrada de concorrer. Nesse cenário de repressão, quase 8 milhões de venezuelanos foram forçados a deixar o país, gerando uma das maiores crises migratórias da história da América Latina.
As instituições do país foram progressivamente destruídas, e o regime de Maduro ficou vinculado a estruturas do narcotráfico. Desde 2020, ele era procurado pelos EUA por seu envolvimento com o Cartel de los Soles. A pergunta que se levanta é: a ação militar pode ser considerada um golpe, dado que Maduro já havia subvertido a democracia?
Além disso, a figura de Maduro não deve ser vista isoladamente. A Venezuela se tornou um ponto estratégico para potências adversárias dos Estados Unidos. O apoio da Rússia, do Irã e de Cuba, bem como os interesses da China na região, a transformaram em um aliado importante para ações geopolíticas. Durante anos, essa dinâmica ocorreu sem chamar a atenção internacional. A indignação se intensificou apenas quando os EUA decidiram agir.
Críticos apontaram que os EUA deveriam ter respeitado a autonomia da Venezuela e esperado pela intervenção da ONU. No entanto, muitos se perguntam qual seria a efetividade dessa organização, especialmente com sua falta de ação em conflitos anteriores. Quando um governo pratica fraudes e persegue opositores, discutir princípios de autodeterminação pode soar vazio.
A realidade da política internacional é complexa e muitas vezes marcada por conflitos de poder. Exemplos históricos mostram que ações militares ocorrem frequentemente para manter ou restabelecer equilíbrios de força entre nações. A operação para prender Maduro ocorreu de forma precisa, com poucos relatos de baixas. De acordo com informações, a CIA já monitorava a situação na Venezuela há meses, conhecendo detalhes sobre a rotina do presidente.
A operação não só enviou uma mensagem à Venezuela, mas também aos seus aliados, como China e Rússia, mostrando que não existem áreas seguras para líderes que desafiam a ordem estabelecida. Essa ação reflete ainda a renovação da Doutrina Monroe, que afirma que potências externas não devem influenciar a América Latina. Esse contexto traz à tona a posição do Brasil, que se manifestou contra o uso da força e clamou por soluções pacíficas. Contudo, sua postura ambígua por muitos anos em relação à Venezuela pode resultar em custos políticos.
É importante entender que democracias enfraquecidas, onde a corrupção e a repressão crescem, podem se tornar vulneráveis a crises. A Venezuela é um exemplo extremo, porém, não é única. A situação política na América Latina pode estar mudando, com a esquerda regional se distanciando de seus aliados tradicionais. Essa transformação terá reflexos no cenário brasileiro, especialmente nas eleições de 2026.
O Brasil não precisa seguir automaticamente a política dos EUA, mas a neutralidade não é uma opção viável. Em um mundo de influências e alianças, a inação pode significar irrelevância. O cenário global está mudando e as escolhas a serem feitas nas próximas eleições serão determinantes para o futuro do Brasil.