PF e EUA sancionam brasileiros: veja lista
A Polícia Federal cumpriu mandados de prisão contra dois brasileiros que foram sancionados pelos Estados Unidos nesta semana. Eles são suspeitos de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Victor Henrique de Oliveira Shimada é apontado como responsável por lavar mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos em várias cidades americanas. Segundo as autoridades dos EUA, ele usava criptomoedas para enviar o dinheiro lavado de volta ao Brasil, para o PCC. Shimada não foi encontrado e é considerado foragido.
A defesa de Shimada afirmou que ainda não teve acesso às decisões judiciais nem aos elementos da operação. O advogado Yuri Cruz disse que qualquer manifestação seria precipitada e que, assim que tiver acesso aos autos, adotará as medidas cabíveis.
As empresas de Shimada já eram conhecidas dos investigadores brasileiros há pelo menos dois anos. Elas estariam ligadas a uma fraude contra o Corinthians, em conexão com a patrocinadora Vai de Bet. O caso foi revelado pelo colunista do UOL Juca Kfouri e é citado pelo Tesouro dos EUA na decisão de sancioná-lo.
De acordo com as investigações, o dinheiro lavado pelas empresas de Shimada teve como destino uma empresa de gestão de carreira de atletas suspeita de ligações com o PCC. Essa empresa foi mencionada na delação de Vinícius Gritzbach, que lavava recursos para a facção e foi morto em 2024 no Aeroporto de Guarulhos.
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa e é parente de Shimada, segundo o Tesouro dos EUA. Ela trabalhava como secretária dele. As investigações da PF indicam que Stella atuava na coleta e logística do dinheiro do tráfico. Ela teria ajudado Shimada a movimentar recursos com empresas usadas para ocultar a origem do dinheiro de atividades criminosas. Stella não tinha antecedentes criminais.
Sanções dos EUA
Stella e Shimada foram sancionados pelos Estados Unidos por supostos vínculos com o PCC. O anúncio foi feito pelo Departamento do Tesouro dos EUA um mês após o PCC e o Comando Vermelho serem listados como organizações terroristas pelo país. Com a sanção, todos os bens deles nos EUA foram bloqueados. Qualquer pessoa ou empresa que tente fazer negócios com os brasileiros também pode ser sancionada.
Empresas ligadas a Shimada também foram alvos de sanções. São elas: Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda, em Portugal. Os EUA chegaram aos brasileiros após prisões do FBI na Flórida em janeiro. Os seis alvos eram suspeitos de conexões com lavagem de dinheiro do tráfico de drogas do PCC.
Operação Exchange
A operação deflagrada hoje cumpre 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária. A Justiça também ordenou o sequestro de bens e valores de até R$ 10 bilhões. Os mandados são cumpridos em São Paulo, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Segundo a PF, o grupo usava um sistema estruturado para movimentar recursos. O dinheiro era lavado com transferência de criptoativos, transporte de valores e operações bancárias de alto valor.