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Eleições no DF: 6 candidatos e a crise do BRB em jogo

Por Folha Um News · · 5 min de leitura
Eleições no DF: 6 candidatos e a crise do BRB em jogo
visita governadora celina leão ao jbr 5

Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal tem seis candidatos na disputa pelo governo. A governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) são os nomes de maior destaque. O PT lançou Leandro Grass e o PSB aposta em Ricardo Cappelli. Completam a lista a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).

A eleição ainda não está definida e fatores como a crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de Arruda e a divisão na esquerda podem mudar o cenário até outubro.

Celina começa a disputa com vantagens por ocupar o cargo. Ela tem mais visibilidade e pode apresentar as realizações da gestão, além de contar com o apoio da estrutura política construída por Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, herdou o desgaste da administração, principalmente em relação à crise do BRB.

Arruda entra na disputa com capital eleitoral e identidade política consolidada. Sua candidatura é uma alternativa no campo conservador e pode ser um dos principais concorrentes de Celina. O ex-governador, no entanto, enfrenta uma situação jurídica que deve ser decisiva nos próximos meses.

No campo progressista, há um racha. O PT lançou Grass, que aparece como o candidato mais competitivo da esquerda, mas enfrenta a concorrência de Cappelli. Caputo e Belmonte se apresentam como alternativas de centro.

A crise no BRB

O BRB enfrenta uma crise financeira após a revelação de fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master, com prejuízo estimado em cerca de R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços financeiros de 2025, documentos necessários para avaliar o rombo.

O prazo para a divulgação do balanço venceu em 31 de março. O BRB informou que o fechamento das demonstrações dependia da conclusão de auditorias e de tratativas com reguladores. Celina fechou um acordo no Supremo Tribunal Federal (STF) que prevê uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo ainda não teve resultados efetivos e não há previsão para os recursos entrarem no caixa da instituição, o que aumenta o risco de liquidação.

Para o mestre em Ciências Políticas Prof. Dr. Gustavo Javier Castro, a condição do banco deve ser tema das campanhas. Se o acordo não for concretizado antes das eleições, Celina terá que explicar por que a solução anunciada não produziu resultados. Isso pode enfraquecer o argumento de continuidade administrativa e capacidade de gestão.

Uma possível liquidação teria consequências graves. “O BRB não é percebido apenas como uma instituição financeira, mas como um patrimônio econômico e simbólico do Distrito Federal. Uma crise extrema poderia produzir insegurança entre clientes, servidores, empresários e contribuintes, além de levantar questionamentos sobre a eventual utilização de recursos públicos para cobrir prejuízos”, explica.

Castro defende que seria plausível uma queda nas intenções de voto de Celina. O impacto depende de fatores como a proximidade do episódio em relação à eleição, a existência de perdas para correntistas e para o Tesouro distrital, o grau de responsabilidade atribuído ao governo e a capacidade da oposição de transformar a crise em desgaste político.

“Uma atuação transparente, com divulgação de dados e identificação clara das responsabilidades, poderia limitar os danos. Uma postura defensiva ou marcada pela demora na prestação de informações tenderia a ampliar o desgaste. A crise do BRB é provavelmente o principal ponto de vulnerabilidade de sua candidatura”, argumenta.

Arruda e a Lei da Ficha Limpa

Arruda estava inelegível desde 2014 por improbidade administrativa, em investigações ligadas à Operação Caixa de Pandora, ocorrida em 2009. Com as mudanças na Lei da Ficha Limpa, o tempo de perda dos direitos políticos foi reduzido. O teto de inelegibilidade para condenações em múltiplos processos passou a ser de oito anos a partir da condenação em segundo grau.

O STF tem analisado os casos dos políticos enquadrados na norma. O julgamento estava suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A relatora, ministra Cármen Lúcia, e o ministro Luiz Fux votaram pela inconstitucionalidade de dispositivos centrais da reforma. A legislação atual favorece a interpretação de que Arruda recuperou a elegibilidade, mas uma decisão contrária da Corte pode comprometer a candidatura.

Segundo Castro, uma eventual retirada de Arruda mudaria o cenário político. “Ele não é apenas mais um candidato: representa uma parcela relevante do eleitorado conservador e reúne votos ligados à memória de suas administrações, à sua presença histórica na política local e à oposição ao grupo atualmente instalado no Palácio do Buriti”, avalia.

Celina seria a principal beneficiária da ausência de Arruda, pois parte dos eleitores dele tenderia a migrar para a governadora, por proximidade ideológica. Essa transferência, porém, não seria automática nem integral. Parte dos eleitores pode interpretar a exclusão como decisão judicial injusta e adotar postura de protesto.

“Esses eleitores poderiam votar em outro candidato conservador, anular o voto ou mesmo se afastar do processo eleitoral. O comportamento de Arruda também seria decisivo: um apoio explícito a outro nome poderia orientar parte de seu eleitorado, enquanto uma posição de neutralidade ampliaria a dispersão”, analisa.

Esse cenário também pode aumentar a importância da disputa pela segunda colocação, especialmente para Grass.

Racha na esquerda

A manutenção das candidaturas de Grass, pelo PT, e Cappelli, pelo PSB, revela dificuldade de unidade na esquerda. Ambos disputam uma faixa semelhante do eleitorado e procuram vincular suas candidaturas ao projeto nacional de centro-esquerda, mas partem de posições eleitorais distintas.

“A divisão apresenta riscos evidentes. O principal deles é impedir que o campo progressista concentre votos suficientes para chegar ao segundo turno. Em uma eleição na qual Celina e Arruda, caso este possa concorrer, ocupam as primeiras posições, a fragmentação pode fazer com que os candidatos progressistas disputem entre si um eleitorado limitado”, argumenta Castro.

Duas candidaturas significam divisão de recursos, tempo de propaganda, apoios partidários e palanques nacionais. A disputa interna também pode dificultar a construção de uma narrativa comum sobre temas como transporte, saúde, desenvolvimento urbano, desigualdade territorial e a crise do BRB.

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