10/05/2026
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Lula e Trump têm reunião de 3 horas e divergem sobre tarifas

Lula e Trump têm reunião de 3 horas e divergem sobre tarifas

Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniram nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. Durante três horas, os chefes de Estado falaram sobre combate ao crime organizado, tarifas, minerais críticos e a relação com as big techs.

A avaliação de ministros presentes foi de que a reunião foi positiva e um sucesso. “Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, disse Lula em entrevista coletiva na embaixada brasileira depois de deixar a Casa Branca.

Um dos principais objetivos do governo brasileiro era entregar uma proposta sobre o combate ao crime organizado entre os países. A proposta, que visa cooperação em segurança pública e inclui colaboração no combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro, foi entregue em inglês a Trump. “Ele disse que ia ler a proposta à noite”, disse Lula. Um dos temores do governo brasileiro é que os EUA designem as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. Segundo Lula, essa designação não foi tratada durante a reunião.

Apesar do tom positivo, houve episódios de tensão. Lula afirmou que ficaram evidentes divergências entre os dois governos, especialmente sobre tarifas. “O Brasil teve um déficit de US$ 14 bilhões com os Estados Unidos. Então, ele sempre acha que nós cobramos muito imposto. A média do imposto que nós cobramos é 2,7%”, afirmou Lula. Diante do impasse, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho para, em 30 dias, apresentar uma proposta.

Lula reforçou que não considera “boa política” um presidente estrangeiro interferir em eleições de outros países. Declarou que não acredita em qualquer interferência de Trump nas eleições brasileiras, afirmando que “quem decide o destino do Brasil é o povo brasileiro”.

O presidente brasileiro disse ter entregado a Trump uma lista com nomes de autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar nos EUA desde o ano passado. O documento inclui ministros do STF e a filha de 10 anos do ministro Alexandre Padilha (Saúde). “Eu entreguei a lista porque eu já tinha entregado uma vez e não foi resolvido o assunto”, afirmou Lula.

Lula enfatizou que o Brasil não aceitará ser um “mero exportador” de minerais críticos. Ele destacou a aprovação de um novo marco regulatório que trata o setor como questão de soberania nacional. Sobre as big techs, Lula negou que haja proibição de plataformas americanas no Brasil, mas afirmou que elas devem seguir a regulamentação soberana do país.

O brasileiro ofereceu-se para mediar conversas sobre Cuba e criticou o bloqueio econômico histórico imposto por Washington a Havana. Segundo Lula, Trump sinalizou, via intérprete, que não pensa em invadir a ilha.

Em um momento de descontração, Lula disse ter brincado com Trump sobre a Copa do Mundo, pedindo que ele não anule os vistos dos jogadores da Seleção Brasileira. “Eu disse: ‘ó, eu espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros pra seleção. Por favor, não faça isso porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo'”, disse Lula, que relatou que o republicano riu.

Durante o almoço, Lula relatou que Trump “reclamou que não gosta de laranja na salada” e foi visto “tirando a laranja da salada” enquanto conversavam. Lula classificou o vínculo com Trump como uma “relação sincera” e afirmou: “Sabe aquela história de amor à primeira vista? Aquele negócio da química? É isso que aconteceu.”