sexta-feira, 02 de janeiro de 2026

Cena de “Três Graças” gera debate sobre violência contra a mulher

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[email protected] 31 segundos atrás - 2 minutos de leitura

Na recente exibição da novela “Três Graças”, uma cena provocativa chamou a atenção do público e gerou discussões. Paulinho, interpretado por Romulo Estrela, é apresentado como o herói da trama, um homem correto e sensível. No entanto, ele se descontrola ao ver Gerluce, interpretada por Sophie Charlotte, conversando com Gilmar, personagem de Amaury Lorenzo. Em um momento de ciúmes, Paulinho reage de forma explosiva, quebrando objetos em sua casa.

Essa cena levantou questionamentos sobre a complexidade do personagem e a normalização de comportamentos violentos na narrativa. Muitos telespectadores demonstraram estranheza e desconforto em relação à reação de Paulinho, chamando sua atitude de descontrole e não apenas ciúme. Os comentários nas redes sociais refletem essa divisão: algumas pessoas consideraram a cena exagerada ou mal construída, enquanto outras tentaram justificar a atitude do protagonista com base em possíveis traumas ou na ideia de que ninguém é perfeito.

A discussão central não se limita às motivações internas de Paulinho, mas se expande para o simbolismo da cena em um contexto onde se fala muito sobre violência contra a mulher e relações abusivas. A imagem de um protagonista masculino em um ataque de raiva pode ser vista como arriscada, pois sugere que a violência pode ser justificada, mesmo que não haja agressões diretas a uma mulher.

Além disso, alguns telespectadores sugeriram formas alternativas de retratar a cena, como utilizar um silêncio mais impactante ou expressões faciais que transmitem dor sem recorrer à destruição. Essa abordagem poderia ter explorado o conflito emocional do personagem de maneira menos agressiva.

É importante ressaltar que a crítica não se direciona ao ator, que foi reconhecido por sua atuação competente, mas sim à mensagem transmitida pela narrativa. Quando um personagem considerado “mocinho” comete atos de violência, isso pode levar à romantização de comportamentos prejudiciais que, na vida real, resultam em consequências trágicas.

A reação do público indica que há uma desconexão em relação à forma como a cena foi apresentada. A dramaturgia tem a liberdade de provocar e desafiar o espectador, mas também carrega a responsabilidade de fazer isso de forma que não normalize comportamentos abusivos. Apesar de Paulinho continuar sendo o protagonista da trama, sua imagem pode ter se tornado mais complexa e polêmica após essa cena, sinalizando a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre os temas abordados na novela.

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