O governo federal, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, está preocupado com o avanço do programa Gás do Povo, que visa fornecer botijões de gás para até 15 milhões de famílias de forma periódica. A adesão das revendedoras, que é voluntária, não tem acompanhado as expectativas do governo, levando à análise de um possível aumento no orçamento destinado a essa iniciativa, que é uma das apostas do governo para as eleições de 2026.
Atualmente, há uma preocupação com a lenta adesão das revendedoras ao programa. Relatos apontam que fatores como o preço médio do botijão nos estados não têm atraído as revendedoras de gás. Além disso, existem indicações de resistência política em algumas áreas em relação à implementação do programa.
Dados recentes mostram uma grande variação na adesão das revendedoras em diferentes capitais brasileiras. Enquanto em Fortaleza 71% das revendas já participaram do programa, em Salvador esse número é de 62%. No entanto, Goiânia e Natal registram índices bem mais baixos, com 34% e 43%, respectivamente.
O presidente do Sindigas, o sindicato das empresas distribuidoras de gás, afirmou que o valor que o governo paga por cada botijão é um fator crucial para a adesão das empresas. Ele reconhece que algumas revendedoras optaram por não participar, mas acredita que a maior divulgação do programa pode trazer melhorias nos índices de adesão nas próximas fases.
O governo está planejando uma mudança para contornar o aumento do ICMS, imposto que incide sobre o gás em cada estado. Desde o começo de 2026, o imposto aumentou de R$ 1,39 para R$ 1,47 por quilo de gás. Essa alteração é essencial para melhorar os ganhos das revendedoras e garantir uma implementação adequada do programa. A expectativa é que o impacto financeiro desse ajuste chegue a R$ 59 milhões, já aprovado pelo Ministério de Minas e Energia e analisado por parte do Ministério da Fazenda.
Entretanto, o Ministério de Minas e Energia aponta que será necessário um valor ainda maior para assegurar a eficácia do programa. A proposta orçamentária de 2026 enviada pelo governo previa R$ 5,1 bilhões para o Gás do Povo, mas esse valor foi reduzido para R$ 4,7 bilhões pelo Congresso. Agora, há discussões sobre a possibilidade de aumentar esse orçamento para R$ 5,8 bilhões em 2026, com o objetivo de incluir todos os beneficiários do Bolsa Família.
O Ministério de Minas e Energia informou que existem 1.600 revendas credenciadas nas dez capitais participantes, com a intenção de que 98% das famílias contempladas no início do programa tenham uma revenda a até 2 km de distância de suas casas, facilitando o acesso ao benefício.
As regras do programa, que está sendo implantado gradualmente, determinam que os beneficiários retirem o botijão de 13 quilos nas revendas autorizadas. As lojas receberão o pagamento em até dois dias através da Caixa Econômica Federal.
Esse novo modelo busca substituir o Auxílio Gás, que era parte do Bolsa Família e que, segundo o governo, estava sendo usado para finalidades diversas, desviando assim do foco inicial do programa. Para se qualificar, a família precisa estar registrada no Cadastro Único e ter uma renda familiar per capita inferior a meio salário-mínimo. O programa prioriza as famílias que já fazem parte do Bolsa Família e aquelas que possuem duas ou mais pessoas.
Os beneficiários poderão receber entre quatro a seis botijões por ano, dependendo do tamanho da família. Os primeiros pagamentos começaram em novembro de 2025, com a previsão de que o programa esteja totalmente implementado até março de 2026.
